O Verão de 2026 e a Guerra do Streaming: De Renovações Milionárias ao Cinema no Sofá

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A Netflix cravou mais uma aposta certeira. Quem acompanhou o burburinho recente sabe que o true crime “Bem-Vindos à Vizinhança” e o peso denso de “Dahmer” dominaram as conversas. A plataforma percebeu o filão e já garantiu a renovação de ambas as séries quase numa mesma tacada, o que faz todo o sentido, considerando que as duas saíram das mentes de Ryan Murphy e Ian Brennan. A Bela Bajaria, que comanda a TV global da Netflix, resumiu a situação dizendo que o público simplesmente não consegue tirar os olhos dessas produções. Segundo ela, essa equipe criativa, que ainda conta com o Eric Newman em “Bem-Vindos à Vizinhança”, tem uma mão magistral para contar histórias que prendem espectadores no mundo todo, criando verdadeiras sensações culturais.

E os números justificam essa empolgação. Para se ter uma ideia do impacto, “Bem-Vindos à Vizinhança” cravou 125 milhões de horas assistidas logo nos seus primeiros cinco dias no ar, lá em meados de outubro, fechando o mês com um acumulado bizarro de mais de 345 milhões. A série, liderada pela Naomi Watts e pelo Bobby Cannavale, grudou no Top 10 de 90 países ao mostrar a derrocada da família Brannock. O que era para ser o sonho do subúrbio vira um inferno psicológico graças às cartas ameaçadoras de um sujeito que se autointitula “O Observador” — um pesadelo que ganha tons ainda mais densos por ser inspirado em um caso real que aconteceu em Nova Jersey. O que exatamente vão explorar na segunda temporada ainda é um mistério, mas o terreno já está bem pavimentado.

Esse sucesso duplo acabou calando os críticos que juravam de pés juntos que Ryan Murphy tinha perdido a mão e falhado em entregar hits de peso após assinar aquele contrato astronômico de 300 milhões de dólares com a Netflix, em 2018. Com o acordo chegando na reta final nos próximos meses, o mercado de bastidores ferve. Existe uma especulação gigante sobre ele renovar ou pular do barco e se juntar a rivais — talvez voltando a trabalhar com a Dana Walden, que agora chefia o conteúdo de entretenimento da Disney. O próprio Murphy, no entanto, jogou as cartas na mesa de um jeito bem peculiar recentemente. Ele soltou para o New York Times que existe a chance de simplesmente não fazer nada. Nas palavras dele, não seria absurdo se aposentar, ir para a Costa Leste e lançar uma marca de cera de abelha. Ele até comprou uma fazenda, lembrando que cresceu no meio de milharais em Indiana e sempre flertou com a ideia de ser agricultor. Vai saber.

Enquanto o destino de Murphy na TV segue como uma novela aberta, a indústria já mira no que vai dominar nossas telas neste verão americano de 2026. Hollywood está prometendo salvar as bilheterias e fazer a alegria dos donos de cinema com blockbusters do calibre de “Toy Story 5”, “The Mandalorian and Grogu”, “A Odisseia” e o novo Homem-Aranha, além de apostas menores bem interessantes como “Obsession” e “Backrooms”. Mas, sejamos honestos, por mais que a tela grande tenha seu charme, a preguiça de sair de casa às vezes fala mais alto, e é aí que os streamings montaram um arsenal pro nosso sofá.

A largada acontece em 12 de maio com a Netflix soltando o documentário “Marty, Life is Short”. A ficha técnica já impõe respeito de cara: direção do Lawrence Kasdan (o cara por trás de clássicos como “Corpos Ardentes” e da recente e fantástica série documental da Industrial Light & Magic) e produção executiva do Ron Howard com o Brian Grazer. O foco aqui é destrinchar os 50 anos de carreira do Martin Short. Para quem está vendo ele quebrar tudo de rir em “Only Murders in the Building”, é um prato cheio, misturando imagens de arquivo inéditas e entrevistas com grandes amigos da indústria. Como o comediante passou por perdas bem traumáticas na vida pessoal, ter um diretor com a sensibilidade do Kasdan no comando dá a tranquilidade de que, se tocarem nesses assuntos, a abordagem será feita do jeito certo.

Logo depois, no dia 5 de junho, a Netflix ataca de “Office Romance”. Uma comédia romântica mais ácida e picante sobre um casal de workaholics que se mete em encrenca quando começa a misturar trabalho e emoção em um romance escondido na firma. Sinceramente, a gente está precisando de uma rom-com que engaje de verdade, que faça o pessoal comentar no dia seguinte, e não apenas mais um filme genérico que você deixa rodando de fundo enquanto dobra roupa e esquece logo depois. O elenco é encorpado: Jennifer Lopez (praticamente a dona do gênero), Brett Goldstein (que mandou muito bem naquele drama da Apple TV que quase ninguém viu, “All of You”), Betty Gilpin e Tony Hale. Nas mãos do Ol Parker, que tem no currículo o recente “Ingresso para o Paraíso”, a receita tem tudo para dar jogo.

E para fechar essa trinca de apostas leves, mas pulando o muro para o Prime Video, no dia 19 de junho teremos “Voicemails for Isabelle”. O segundo longa da diretora Leah McKendrick traz uma premissa com uma pegada super anos 90: a personagem da Zoey Deutch tenta lidar com a morte da irmã deixando mensagens de voz no antigo número dela, detalhando todos os perrengues da sua vida caótica em São Francisco. O twist é que a linha foi repassada para um corretor de imóveis misterioso em Austin (Nick Robinson), que começa a receber essa enxurrada de desabafos hilários. A Zoey já provou que tem um timing perfeito para o gênero desde “O Plano Imperfeito” alguns anos atrás, e a química no elenco, que ainda conta com o Nick Offerman, cria uma expectativa enorme de que a McKendrick entregue mais um acerto certeiro depois de despontar com “Scrambled”.