Em carta-denúncia enviada às autoridades dos três poderes, após reunião na Assembléia Regional de Pastoral, que foi realizada em São Luís, de 22 a 25 de junho, em que participaram representantes das dioceses, o bispo D. Reinaldo Puder, bispos coordenadores e pastorais das dioceses do Maranhão. Na denúncia estão ações que estão prejudicando os trabalhadores rurais do Maranhão. Entre elas, o despejo de trinta famílias quilombolas da comunidade de secular de Malaquias, Município de Vargem Grande, que se deu no dia 19 de maio de 2006, em cumprimento a uma liminar de reintegração de posse expedida pela juíza da Comarca, Janaína de Araújo Carvalho.
Segundo a Carta, ouve-se mais uma vez no Maranhão o grito de dor e clamor das famílias camponesas do Estado do Maranhão. Num outro trecho assim se refere à Carta: “é o gemido da própria vida ameaçada de extinção: [é o gemido das martas e do cerrado devastados pelo avanço acelerado e violento das monoculturas da cana e da soja, do eucalipto e do bambu, é o gemido das matas que são transformadas em carvão para o abastecimento das usinas de ferro-gusa, é gemido de milhares de famílias do Baixo Parnaíba, que, neste último ano, se sentiram impotentes à grilagem e à devastação anunciada de quase dois milhões de hectares de cerrado”].
Além disso, a Carta ainda se refere à matança de indíginas e a criminalização de suas lideranças. Em que entre os anos de 2005 e 2006, vinte e duas crianças guajajaras das aldeias Bananal e Ipu morreram por desnutrição ou por falta de assistência médica. Também consta no documento, o gemido dos posseiros do município de Arari, povoado Estirão Grande, Data Santa Inês que correm o risco de perder suas terras, embora vivam, em terras públicas há mais de cem anos. Atualmente, segundo o documento, vivem criminalizados e ameaçados de morte.
A carta-denúncia foi enviada ao Ministério da Justiça, Ministério do desenvolvimento Agrário, à Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Ministro da Casa Civil, ao Governador do Estado do Maranhão, senadores, deputados estaduais e federais, presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, ao Procurador Geral da Justiça do Maranhão, Presidente do Supremo Tribunal Federal e outras autoridades. Veja assinatura dos integrantes da reunião que de origem ao documento que clama por justiça no campo.