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Publicada em: 27 de julho de 2006
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O PROFESSOR FERRAZ EM AS PÁGINAS ESCRITAS NA DECIFRAÇÃO DE UM HOMEM CULTO, AUTODIDATA E DEDICADO À EDUCAÇÃO DO POVO DE ITAPECURU. TÃO INTELIGENTE QUE SEUS MÉTODOS E TEXTOS PODEM SER COMPARADOS AOS DE JOAQUIM SOTERO DOS REIS E SUAS INTELIGÊNCIAS A GONÇALVES DIAS, POETAS QUE SÃO CONHECIDOS E ESTUDADOS UNIVERSALMENTE

CULTURA


Professor Raimundo Nonato Ferraz, nasceu em Itapecuru-Mirim e morreu na mesma cidade. Ele era filho de Luiz da Silva Ferraz e Raimunda Barbosa Andrade, seu pai nasceu em Teresina- PI, sua mãe era maranhense de Itapecuru. Professor Ferraz, nosso homenageado fez história com seu auto-didatismo e ajudou a formar gerações. Oriundo de família pobre duma prole de três filhos, seu pai era pedreiro e sua mãe era doméstica. Nosso professor Ferraz durante a sua vida dedicou-se aos saberes e a educar seu povo. Tendo começado seus estudos primários (atualmente correspondente ao Ensino Fundamental menor) com a professora Zuíla numa escola particular que levava o nome da professora, e seus estudos do Ensino Fundamental foram completados pela dona Sinhá, no grupo escolar Rio Branco, também em Itapecuru. Mais tarde o professor começou a estudar com o padre Newton Neves com quem esgotou todo conteúdo verificado nas enciclopédias e compêndios literários. Nessa época o professor Ferraz ainda era uma criança de 12 anos de idade. “É como se ele ficasse sem matéria, declinou dona Edna Sousa Santos Ferraz, mulher com quem ele era casado e viveu por mais de 30 anos”. Edna Ferraz admite ter se interessado pelo conhecimento quando conheceu o professor Ferraz, com quem estudou.

Sonho de Menino é Crescer, Ganhar o Mundo

O menino de 12 anos de idade não poderia mais continuar estudando em Itapecuru, então o Pe. Newton Neves o encaminhou para o tradicional Liceu Maranhense, em São Luís, local onde o aluno autodidata também se destacou tirando as melhores notas e ganhando a admiração de todos os seus colegas. No Liceu, professor Ferraz concluiu o 2º Grau (Ensino Médio) e voltou para a terra querida fazer o que ele mais gostava: estudar e ensinar seus conterrâneos. No começo ele começou a ensinar em sua própria casa, que ficava na rua da Boiada, atualmente chama-se rua Senador Benedito Leite. Logo após ele e outros jovens idealistas fundaram a Escola Normal Leonel Amorim (Colégio Leonel Amorim).

Do prazer de ensinar à sedução – “ele era louco por livros, quando começou a ensinar tinha menos de 18 anos”, assim se expressou emocionada a professora Edna Ferraz. Então foi de uma forma carinhosa e respeitosa que eles de descobriram e casaram: o professor Raimundo Nonato Ferraz casou com Edna Sousa Santos que passou a assinar-se também como Ferraz. Ela é natural de São Benedito do Rio Preto e mora em Itapecuru desde seus 08 anos de idade. Dessa relação amorosa nasceu Maria de Nasaré Ferraz, que também se destaca pela sapiência e gosto pelo saber, assim como seus pais.

O padre Alfredo realizou a cerimônia de casamento de Edna e professor Ferraz e teve como padrinho, o líder político e professor João Rodrigues.

Além de ter sua contribuição com a educação formal aos alunos da cidade de Itapecuru, professor Ferraz, pelo que se leva a crê, era um exímio orador, tendo em vista inúmeros discursos e cartas a que tivemos acesso. Uma das cartas ou redações refere-se a importância quando o professor trata o livro como amigo e desseca a sua importância nas diversas áreas do conhecimento. O professor comenta o livro da Bíblia Sagrada, os livros científicos que, segundo ele, nos leva a conquistas arrojadas, bem como, a invenções assombrosas. A sua definição para os livros é como quem dá um conselho e estabelece também um perfil ideológico deles.

A sua atuação também teve destaque na Câmara de Vereadores quando elaborou vários projetos de Lei que foram sancionados pelo prefeito da época. Em destaque alguns que chegaram à redação e que tratam de assuntos relevantes para a sociedade de Itapecuru. De outro modo tece um texto crítico-construtivo das manifestações folclóricas quando exalta e critica a forma das indumentárias. Nesse mesmo texto, o professor Ferraz reconhece a intelectualidade do jornalista José Cândido de Moraes e Silva. (Sugerimos que todo material existente dele e de outros vultos históricos da cidade fossem micro filmados).

Sempre pressentes nas solenidades ligadas à formação de seu povo. Dessa maneira, presente nas colações de colação de grau dos alunos de várias escolas da cidade de Itapecuru. De certa feita, em 1971, ele foi convidado para participar da colação de grau dos alunos da Escola Normal Regional Gomes de Sousa. O evento aconteceu no Itapecuru Social Clube e a turma recebeu o nome do professor doutor Benedito Gonçalves Lima e teve como patronos, Leonel Amorim de Sousa e Eliete Monteiro Lima. Mas não é só isso, logo três anos mais tarde o professor Ferraz foi duplamente homenageado, recebeu honra ao mérito pelos importantes serviços prestados à educação de Itapecuru e o nome da turma que colocou grau se auto-intitulou Professor Raimundo Nonato Ferraz. Nesse sentido, ressalta-se uma pequena mostra disponível de tantos feitos e de merecidas homenagens a um itapecuruense que dedicou sua vida à educação. Em 1974. Raimundo Nonato Ferraz recebe homenagem Administrativa dos alunos do Curso Pedagógico de 1ºe 2º graus. Ele também recebeu correspondência do ex-governador do Maranhão, Epitácio Cafeteira, dizendo-se reconhecedor do trabalho de professor Ferraz com quem gostaria de trocar idéias para que ampliassem as suas propostas caso viesse a governar o Maranhão (à época da correspondência, Cafeteira era candidato ao governo do Maranhão)

Seguem-se exemplos de projetos de Leis elaboradas pelo professor Ferraz que merecem atenção não somente pelo conteúdo, mas também pela forma. Nossa equipe analisou todo rico material do professor Ferraz, embora não sejamos especialistas, mas destacamos os memorandos da Prefeitura Municipal e projetos de Lei da Câmara de Vereadores que datam de 1961. 1962, 1963 e 1964 que têm assinatura do professor (nos projetos de lei da Câmara) que tratam de assuntos gerais que envolvem o sítio municipal, também nos admiramos de suas cartas e discursos, de suas redações, de seus comentários de suas aulas quando já naquela época falava dos sintagmas nominais e verbais. Nos discursos (ou cartas) faz referências as autoridades num tom muito respeitoso que se sinalizava com a harmonia que lê dispunha com elas, muitas vezes na adversidade ideológica.


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Inclusão: 27/07/2006