Quando da realização do ciclo de debates sobre o Desenvolvimento Sustentável do Maranhão, o agricultor e ex-superintendente da Ceval/Bunge, Idone Luiz Grolli, disse que o agronegócio está atravessando uma crise muito grande no Brasil, em razão do seu próprio sucesso. “É a maior de todas que já vivenciamos. É a crise da normalidade e o grande culpado é o nosso sucesso”, afirmou.
Idone Luiz Grolli foi um dos expositores do ciclo de debates promovido hoje pela Assembléia Legislativa, tendo o tema “Desenvolvimento Sustentável do Maranhão”.
Ao referir-se à “crise da normalidade”, Idone Grolli explicou que o agronegócio experimentou um desenvolvimento muito rápido no Brasil, que provocou um grande aumento da oferta. Por outro lado, enfrentou problemas sérios, tais como o custo da logística, notadamente o preço do petróleo, que deixou o preço do frete muito alto, além da alta de juros e a conseqüente desvalorização do Real.
Ao criticar a falta de subsídio e de seguro para os investidores em agronegócio, no Brasil, Idone Grolli fez um desabafo: “nós não temos nenhuma proteção neste país. Não há taxa de juros ou carga tributária decentes, nem estradas, nem nada”.
A situação do agronegócio, no Maranhão, é tão complicada quanto no resto do Brasil. Mesmo assim, ele afirma que o Estado oferece boas condições em virtude de fatores climáticos, mais precisamente o solo e a temperatura.
Grolli vê o Maranhão com grande potencial para a produção de sementes, na qual já figura como exportador, e criação de peixes. No que se refere à produção apenas de grãos, diz ele, o estado é um problema.
Dentre as sugestões que Idone Grolli aponta para amenizar a crise do agronegócio, no Maranhão, destaca-se a implementação do setor de energia, uma vez que vários municípios com potencial, dentre eles Balsas, enfrentam problemas neste setor, melhoria das estradas, maior controle fito-sanitário e incentivos fiscais por parte do Estado.
BIODIESEL NO MARANHÃO
O avanço da produção de biodiesel, no Maranhão, também foi um dos assuntos enfocados no Ciclo de Debates promovido pela Assembléia Legislativa. O tema foi exposto por Arlindo Pereira, representante da empresa Brasil Eco Biodiesel.
A Eco Biodiesel já atua em 14 estados brasileiros, recebendo incentivos do Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, por aproveitar a mão-de-obra da agricultura familiar. A empresa pretende inaugurar, em dezembro, no Porto do Itaqui, a primeira indústria de processamento do produto de São Luís, com previsão de ser a maior do Nordeste. Atualmente, a maior indústria está situada no município de Floriano (PI).
Após a implantação da indústria, a meta da empresa, no Maranhão, é aproveitar a mão-de-obra de seis mil famílias de pequenos agricultores, que atingirão renda familiar de aproximadamente R$ 5 milhões.