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Publicada em: 29 de maio de 2006
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Talvez os maranhenses nunca se depararam com uma candidatura cercada de tantas interrogações, tantos mistérios e enigmas quanto essa do ex-presidente do STJ, Edson Vidigal. Mas não poderia ser diferente, pois o seu reencontro com a política se dá após um longo período dedicado exclusivamente à carreira jurídica fora do estado do Maranhão.

A candidatura Vidigal, surge como um estratagema do governador José Reinaldo para impedir que a senadora Roseana Murad vença a eleição pra governo do estado. Nada contra o estratagema do governador; do ponto de vista eleitoral poderá realmente surtir o efeito desejado, mas a grande questão que inquieta boa e significativa parte do eleitorado é saber quem é, e o que deseja o político Edson Vidigal.

Até agora o que se sabe de concreto é que um profissional bem sucedido, que conseguiu superar as dificuldades sociais e econômicas, próprias de um jovem humilde, e que virou doutor. Mas só isso não é suficiente para ganhar corações e mentes por esse Maranhão afora, pois, se agregar misérias sofridas na infância ao currículo político elegesse um governador, o deputado Domingos Dutra – que segundo afirma já vendeu até pato no Marcado Central – já teria sido eleito governador há muito tempo!

Uma questão fundamental que insiste em assombrar a candidatura Vidigal é o seu passado de amizade e cumplicidade fraterna como senador José Sarney. Aliás, muitas das críticas de setores da oposição ao sarneysmo ao nome de Vidigal, se dão justamente por esse seu, digamos, passado sarneyista.

O governador José Reinaldo faz questão de dizer que o fato de Edson Vidigal ter sido apadrinhado pelo senador Sarney, não quer dizer que atrapalha a sua candidatura anti-oligarquia, e usa o próprio exemplo para sustentar sua tese.

Que me perdoe o governador, mas o seu caso é um tanto quanto diferente do ex-ministro Edson Vidigal. O Maranhão inteiro sabe que há um rompimento político aberto e, às vezes até radicalizado, entre o José Reinaldo e o grupo Sarney. Taí algumas declarações recentes do governador sobre o que pensa da oligarquia e do senador Sarney para não deixar qualquer dúvida do estado de guerra política que passa o Maranhão.

Com Edson Vidigal, posso está enganado, acontece diferente. Seus discursos, embora bem articulados, nem de perto lembram os do arquiteto da sua candidatura, o que é um estranho, pois geralmente o candidato escolhido costuma ser mais contundente e mostrar mais radicalidade do que o líder que o escolheu. É como se a candidatura quisesse ser uma coisa, mas o candidato outra.

Cabe ao ex-ministro procurar mais brio oposicionista, e esse brio ele não achará fazendo o estilo ‘bom garoto’, uma espécie de “vidigalzinho paz e amor”. Sei que não será tarefa das mais fáceis, ao candidato, conciliar a diplomacia exigida pelo Planalto e pela cúpula nacional do PT, com a radicalidade e o anti-sarneysmo desejados pelas bases do PT e movimentos sociais maranhenses.

Dessa forma, penso que o candidato Edson Vidigal ainda é um enigma a ser decifrado pela maioria dos maranhenses; até o momento possui a seu favor apenas duas marcas que têm mais a ver com a ‘pessoa’ Vidigal do que com o ‘candidato’, quais sejam: infância pobre e oratória rica. Para quem deseja cumprir a missão que lhe foi atribuída pelo governador José Reinaldo, que é derrotar definitivamente o sarneysmo, me parece muito pouco.

Robert Lobato
Administrador de Empresas/99684413


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Inclusão: 29/05/2006