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Fonte: Edição 93 - 15/Dez a 15/Jan de 2004
Publicada em: 15 de dezembro de 2004
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A Sociolingüística como ciência moderna trouxe valiosas contribuições para uma melhor compreensão da Língua, a exemplo da Antropologia que trouxe significativas contribuições para o campo da História. Dentre estas contribuições destacamos os fenômenos lingüísticos, iniciando a matéria pelo rotacismo.

Para compreensão do assunto, transcrevemos abaixo, fragmentos de texto de Marcos Bagno, extraídos do livro "Preconceito Lingüístico" (1999). "... Na visão preconceituosa dos fenômenos da língua, a transformação de L em R nos encontros consonantais como em Cráudia, chicrete, praca, broco, pranta é tremendamente estigmatizada e às vezes é considerada até como um sinal do" atraso mental "das pessoas que falam assim.

Ora, estudando cientificamente a questão, é fácil descobrir que não estamos diante de um traço de" atraso mental "dos falantes" ignorantes "do português, mas simplesmente de um fenômeno fonético que contribuiu para a formação da própria língua portuguesa padrão". Observe o quadro seguinte:

Branco

Blank

Germânico

Brando

Blandu

Latim

cravo

clavu

Latim

Dobro

Duplu

Latim

Escravo

Sclavu

Latim

fraco

Flaccu

Latim

prata

plata

provençal

prega

plica

Latim



O rotacismo teve sua participação na formação da língua portuguesa padrão na troca do L pelo R nas palavras acima, dentre outras. Em Os Lusíadas (poema), de Luís de Camões (texto original), encontramos as palavras frauta, frecha, pranta bem como a forma atual planta, flecha e flauta concorrendo no mesmo texto.

Existem, evidentemente, falantes da norma culta urbana, pessoas escolarizadas, que têm problemas para pronunciar os encontros consonantais com L. É o que popularmente se chama de "língua presa". Nesses casos, sim, trata-se realmente de uma dificuldade física que pode ser resolvida com uma terapia fonoaudiológica (...) Se dizer Cráudia, praça, pranta é considerado "errado", e, por outro lado, dizer frouxo, escravo, branco, praga é considerado "certo", isso se deve simplesmente a uma questão que não é lingüística, mas social e política - as pessoas que dizem Cráudia, praça, pranta pertencem a uma classe social desprestigiada, marginalizada, que não tem acesso à educação formal e aos bens culturais da elite, e por isso a língua que elas falam sofre o mesmo preconceito que pesa sobre elas mesmas, ou seja, sua língua é considerada "feia", "pobre", "carente", quando na verdade é apenas diferente da língua ensinada na escola."
Na próxima edição abordaremos um pouco mais sobre o assunto e escrevermos também sobre o plural redundante. Até a próxima edição!


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Inclusão: 26/03/2005 - Alteração: 26/03/2005