Por Benedito Buzar(*)
De tudo que sei a respeito da vida da cidade de Itapecuru, depois de incansáveis pesquisas realizadas na Biblioteca Pública Benedito Leite e no Arquivo Público do Estado do Maranhão, a conclusão a que cheguei, com relação à presença de um algum órgão de imprensa, desde a sua fundação como vila, em 27 de novembro de 1817, até os dias correntes, é de que, na terra onde tive felicidade de nascer, só contou com três jornais.
O primeiro, batizado com o nome de A Gazeta, nasceu e morreu na década de 30 do século passado, dirigido pelo emérito professor João da Silva Rodrigues. Nas minhas andanças na Biblioteca Pública, cheguei, certa vez, a tê-lo em minhas mãos, oportunidade em que avidamente o compulsei e tomei conhecimento sobre variados assuntos acontecidos em Itapecuru, dentre os quais uma descoberta fantástica: as minhas origens jornalísticas, pois o meu pai - Abdala Buzar, integrava a equipe daquele periódico.
Para minha tristeza, tempos depois voltei a procurar a Gazeta, na Biblioteca , mas o esforço foi em vão. Havia sumido misteriosamente do armário em que se encontrava adormecido, como à espera de alguém para saboreá-lo.
O segundo, denominado O Trabalhista, também sob a direção do abnegado mestre João da Silva Rodrigues, era um jornal que tinha como proposta a de circular uma vez por semana, mas isso nem sempre acontecia, por motivos operacionais.
O Trabalhista, que recebeu essa denominação pelo fato do seu dono ser um getulista de carteirinha, era feito artesanalmente, tendo a tipografia como suporte material, e chegava às ruas, via de regra, com quatro páginas.
Este jornal teve, contudo, maior duração do que o seu antecessor. Veio a lume nos anos 40 e chegou a vingar até os meados da década de 50.
Depois do desaparecimento de A Gazeta e de O Trabalhista, a cidade ficou quase quarenta anos sem um veículo de informação, através do qual pudessem ser revelados os fatos, eventos e acontecimentos, mundanos, políticos e culturais, que ocorressem no município de Itapecuru e adjacências.
Mas com a chegada do publicitário Gonçalo Amador, no correr dos anos 80, eis que uma alvissareira notícia veio ao meu conhecimento, transmitida pelo próprio autor do empreendimento. Era seu pensamento, instalar um jornal naquela abençoada terra. Não só exultei com o auspicioso projeto, mas assumi o compromisso de ajudá-lo no que tivesse sob o meu alcance, a fim de que aquele sonho, que não era apenas de Gonçalo, mas meu também se transformasse em realidade, pois, afinal de contas, o município, que havia crescido social e economicamente e alterado assustadoramente a sua estrutura urbana e rural, precisava de um veículo de comunicação social para divulgar tudo o que ali se passava.
Foi com esse desiderato que o Jornal de Itapecuru nasceu, cresceu e amadureceu ao longo de quinze anos, no correr dos quais impôs-se, em que pese às dificuldades de toda ordem, em face da realidade que ora o país atravessa.
O que importa, hoje, é não falarmos sobre as adversidades e os contra-tempos idos e vividos, os quais, convém lembrar, foram superados ou ultrapassados pela vontade férrea e pela garra destemida de Gonçalo Amador, mas nos regozijarmos com a presença do Jornal de Itapecuru no cenário da imprensa maranhense, onde ele ocupa um lugar relevante pela contribuição que vem oferecendo à sociedade, sobretudo a da terra onde nasci, para melhorar o seu nível conhecimento e de cultura.
Parafraseando o poeta Vinicius de Morais, espero que o Jornal de Itapecuru seja infinito enquanto durar.
(*) Benedito Buzar é jornalista, advogado e membro da Academia Maranhense de Letras