Pessoas invejosas atrapalham a organização no alcance dos seus objetivos e de suas metas, pois ao deslocarem o foco do seu trabalho dos assuntos da empresa para a vida do colaborador, tornam a empresa tão doentia quanto elas. E, convenhamos, uma empresa doentia não tem como ser vencedora.
Uma outra questão que se deve ter muito cuidado é com aquela história da “inveja positiva”, isto é, uma pessoa afirmar que tem inveja da outra, mas “num bom sentido”. Ora, se eu posso dizer: “olha, fulano, eu morro de inveja de você pelo jeito que és, pelo fato de todos gostarem de você, enfim, você é dez!”, o que me impedir de falar pro mesmo fulano algo como: “legal, fulano, admiro seu comportamento, seu jeito de tratar as pessoas, enfim você é dez! ”. Percebem a diferença de uma e outra situação?
Administrar os sentimentos de invejas é um grande desafio para os líderes. Penso que cabe a eles isolar esse vírus tão comum nas empresas, mas que infelizmente é mal gerido, ou ignorado, por aqueles que lideram equipes. Por isso, o líder deve ter muito cuidado quando elogia um único colaborador, quando demonstra simpatia por determinada pessoa publicamente, enfim, deve evitar certos comentários e atitudes que possam alimentar a inveja entre os membros da equipe.
Pode-se afirmar que a inveja tem a idade do homem. Há uma infinidade de casos na história da humanidade onde esse “mal secreto” é a causa de intrigas, guerras e tragédias. Contudo, o mais famoso caso de inveja deve ser mesmo o que é relatado no Livro bíblico de Gêneses, capítulo quatro, que relata o assassinato de Abel pelo seu próprio irmão, Caim.
A discórdia entre os irmãos Abel e Caim é simbólica para entendermos os mecanismos da inveja, e serve como case para as relações interpessoais nas empresas. Senão sejamos: O líder (Deus) solicita a dois dos seus colaboradores (os irmãos) um projeto (oferenda) para sua apreciação. O primeiro (Abel) apresenta um cordeiro puro e sem mácula. O segundo colaborador (Caim) apresenta frutas e verduras frescas. O que o líder (Deus) faz? Acata a o projeto (oferenda) do primeiro e despreza e o projeto do segundo (a oferenda das frutas e legumes). O resultado é a mais famosa das tragédias bíblicas: o líder (Deus) desperta a inveja no coração do segundo colaborador que o leva a matar o seu colega de trabalho (seu irmão).
O maior dos líderes, o Arquiteto do universo, que além de Onipresente e Onipotente é também Onisciente, deixou acontecer a tragédia entre Caim e Abel justamente para nós simples mortais sabemos a forma errada de comandar os nossos colaboradores e não adotá-la nas organizações. Mas, infelizmente, esse é mais um, entre tantos ensinamentos de Deus, que o homem, no auge da sua prepotência, insiste a desprezar.