O resultado do ENEM, para nós maranhenses poderia ter sido bem melhor. Preste bem atenção: Nas provas objetivas estamos atrás de todos do Nordeste, somos o último, a nossa média é de 32,65, contra 32,86 do estado de Alagoas, que depois do Maranhão foi o estado que menos pontuou. Perdemos para todos os estados do Nordeste, inclusive para o Piauí que atingiu média de 33,61 e ficamos bem abaixo da média da região que é de 35,32 e da média nacional que é de 39,41. Seguem os outros estados brasileiros todos com pontos acima do Maranhão.
Quando a análise se refere aos dados de redação, causam-nos surpresa os dados coletados pelo Ministério da Educação - MEC. Perdemos para todos os estados do nordeste, com exceção do estado de Alagoas que obteve, em redação, a média 51,07 pontos, enquanto o nosso estado, o Maranhão, atingiu 52,60. Bom resultado, não! Nada disso, O Maranhão, ficou abaixo do Piauí com 52,92, do ceará com 53,59, do Rio Grande do norte que obteve 53,45, do Pará com 53,49, de Pernambuco que ficou com 53,38, do estado de Sergipe que atingiu 53,26 e finalmente da Bahia, estado que mais pontuou, 55,24, ficando bem próximo da média do nordeste e lado a lado com a média nacional em redação.
Confesso da minha tristeza, mas, contudo, não somos os piores quando comparamos estes mesmos dados com alguns estados da região Norte que estão na linha do limite, eu diria catastrófico, em matéria de avaliação do Enem.
Por exemplo, na avaliação da redação os estados do Acre, Amazonas, Amapá e Tocantins tiveram médias menores que a do Maranhão, as médias desses estados em redação foram 50,21; 52,30; 52,43; 48,72; respectivamente, portanto, menores. Viva! Se no Nordeste, somos os últimos em relação às provas objetivas, no Norte, quando comparamos, verificamos também que a maioria teve pontuações aquém da nossa: Acre com 31,96, Amazonas, 31,53, Amapá com 32,52 e o estado de Tocantins 30,71. Nas questões objetivas, os estados de Rondônia, Roraima e Pará tiveram notas acima da do Maranhão, neste item.
Quanto às regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, refuto-me no direito de não comentá-las haja vista a disparidade entre os pífios dados da nossa região. Acima da média nacional na sua predominância e em um ou outro caso estão abaixo da média do Brasil. Cabe aos gestores da educação descobrirem os erros e investirem nos acertos. Imaginem os senhores que eu, jornalista quase desempregado, um dia não imaginei que fosse capaz de decifrar, do meu modo, que pode até ser o empírico do empírico, dados que servem entre outras coisas para locar estudantes nas universidades, mesmo que seja de segunda chamada e que seja para se deslocar para Chapadinha como quer fazer passar o Prouni. Lembro-me quando um jovem me perguntou sobre a importância do ENEM , talvez eu ainda não tenha certeza da resposta, mas de uma coisa tenho certeza, retrata uma parte da realidade educacional desse continente o qual todos nós apelidamos de Brasil. Vou até perguntar para Haroldo e Wilson, dois feirantes que estudam todos os dias e que cumprem horário de estudo após terem escutado a minha história, para saber quais foram os seus pontos nesse último teste.
A intenção do texto em nenhum momento é de me vangloriar ou denegrir possíveis políticas adotadas atualmente pelas esferas de poder, inserindo programas, projetos, ações e visitas. Apenas e unicamente tem o objetivo de despertar no seio da classe estudantil de meu estado e de todos que constroem a educação no dia-a-dia e na base, uma interação constante entre os querem aprender e contribuir para a construção de um cenário humano, justo, fraterno, político e soberano por meio do conhecimento de sua gente. A luz: o aluno. O lente: aquele que enxerga e transmite conhecimentos, ávido de saber...
As inscrições para o ENEM começam em abril.
*Nilson Ericeira é jornalista, professor, poeta e feirante