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Publicada em: 30 de março de 2006
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Na Pré-História, segurança. Na Antiguidade, admiração. Na Idade Média, castidade. Na Idade Moderna, romantismo. E hoje, liberdade. O amor ditou regras na formação da sociedade desde os tempos antigos.

O Amor é um sentimento infinito, indefinido, que proporciona um emaranhado de emoções contrárias e diferentes como; felicidade, tristeza, raiva, euforia, ansiedade, ciúme, saudade, segurança...Não sabemos direito como ele chega, como ele vai embora e muito menos como ele é, apesar de muitos já terem tentado explicar definitivamente o amor. A ciência faz o que pode para nós entendermos melhor esse sentimento chamado de amor.

Já sabemos até que em casos de paixão somos dominados pela feniletinamina, uma substância bastante semelhante à anfetamina, que descarregada no cérebro, nos deixa eufóricos e otimistas para vivermos uma paixão. Logo após, a paixão vira amor, assumindo o controle do corpo e nos dando tranqüilidade e segurança.

Enquanto estamos próximos de entender a química do amor, ainda há muitas dúvidas sobre a sua história. Mas quando realmente o ser humano descobriu esse tal sentimento? Embora exista várias explicações e dúvidas para a evolução humana, o certo é que em algum momento dessa trajetória nossos antepassados descobriram o amor.

É possível identificar uma mudança do processo evolutivo que foi fundamental para que fêmeas e machos começassem a se amar: a menstruação. O raciocínio é simples. Quando o ser humano ainda andava de quatro a fêmea entrava no “cio” e como ela tinha poucos dias para o sexo, o macho procurava várias parceiras. A menstruação fez com que a mulher passasse a estar sempre pronta para o ato sexual, favorecendo a formação de casais. Para alguns historiadores a descoberta do fogo também favoreceu a consolidação do amor e da família.

A maioria dos historiadores concorda que a família nasceu do fogo, no confinamento das cavernas. Então a família só se consolidou quando o homem tornou-se sedentário. E este processo foi lento. Depois a Terra começou a esquentar e a vegetação se tornou exuberante. O homem percebeu que uma semente gerava novas plantas e isso mudou sua existência, tornando-se possível a domesticação de animais e mais ainda o seu sedentarismo.

Com o sedentarismo, o homem, pela primeira vez, se viu com tempo para pensar. Foi daí que surgiu o que conhecemos como “machismo”. A mulher sempre soube do seu papel na reprodução, pois a família pré-histórica era centrada na mulher. O homem não sabia do seu papel, mas foi observando os animais que descobriu que também foi lhe dado a bênção de procriar.

Deste modo, o homem companheiro da Pré-História, se tornou o “machão” neolítico. Agora podia dizer “meu filho”. Quase, para isso o homem precisava ter certeza de que a mãe era “minha mulher”. Assim a sociedade foi se tornando patriarcal. Apesar das diferenças, crescia a atração entre os sexos e o ser humano já se dava conta de sua capacidade de amar. Só faltava demonstrar em pensamentos e palavras os seus sentimentos. Esta tarefa ficou para os gregos.

Ao explicar os sentimentos, os gregos inventaram o amor. Segundo alguns historiadores, foram eles que inventaram uma palavra para designar o sentimento entre homens e mulheres. Aliás, do grego, herdamos boa parte do nosso dicionário amoroso; erotismo, afrodisíaco, hermafrodita, poligamia, homossexualismo, entre outros termos. E na Grécia o amor entre os iguais virou relação superior. Por exemplo, Sócrates confessou sentir um “fogo” quando via um homem. Até Aristóteles, que considerava o homossexualismo uma “anormalidade”, defendeu que o amor e a amizade são plenos somente entre os homens. Por volta do século V a.C., Roma conquistou a Grécia. Enquanto o grego ligava para o espírito, o romano, que não tinha essa ligação empregou o amor de outras formas, entre elas a depravação, a imoralidade, a traição e a luxúria.

Logo após foi instituída a união civil, promovendo uma festa com testemunhas. Em Roma, a tradição era que o noivo oferecesse um anel à noiva, colocando-o no dedo anular. O escritor Aulus Gellius (130 a.C. – 180 d.C.) explica o porquê. Quando se abre o corpo humano, há um nervo delicado que começa no dedo anular e se estende até o coração. Eis o motivo.

Para a festa de casamento a noiva vestia-se de branco e no fim das cerimônia, os convidados atiravam sementes para desejar ao casal uma colheita farta de filhos. Bom, se boa parte desse ritual lhe parece familiar, é porque foi adotado pela igreja cristã. Embora tenha tentado colocar ordem na casa, o casamento não deteve o adultério.

Depois por uma porta aberta entrou o cristianismo disseminando culpa nas questões do coração. O tempo agora é de amor puro, divino e incondicional. Os divertimentos da carne saíram de moda e o sexo e o erotismo passaram a ser uma passagem só de ida para o inferno. E a ameaça de viver eternamente com o demônio mostrou-se eficiente. Ao mesmo tempo que ameaçava os fiéis, a igreja jogava sujeira para debaixo do tapete.

Em seguida descobriu-se o amor cortês. “Foi graças aos trovadores que as coisas do coração tornaram-se temas poéticos e foi aí que o amor apareceu na literatura”, afirma Diane Ackerman, autora de “Uma História Natural de Amor”. Só então amar torna-se algo recíproco, introduzindo uma idéia revolucionária: o da escolha individual, pessoal.

Ninguém se beneficiou do amor cortês mais do que a mulher, que conseguiu diminuir a distância que a separava do homem. A mulher só respirou ares revolucionários com a invenção da pílula no século XX, quando novamente entrou em convulsão a história do amor. Com ela (a pílula) as mulheres conquistaram o direito de fazer sexo sem compromisso. O amor livre deu à mulher um poder: o feminismo, a minissaia, a calça scaint-tropez, o batom, o biquíni, tudo fazia parte de um novo comportamento.

Nos anos 80 (séc XX) homens e mulheres já estavam em pé de igualdade quando a descoberta de um vírus desencadeou outra mudança. A Aids teve um efeito semelhante ao surgimento da Sífilis no fim do século XV. Tornou-se importante a mudança de hábitos sexuais. “Mudou muita coisa, mas é um exagero achar que a Aids levou à retomada do amor romântico”, diz Tannahill.

De qualquer forma, ainda que a Aids seja vista por muitos como uma praga moralista, nunca se falou de sexo tão abertamente como agora.


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Inclusão: 30/03/2006