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Publicada em: 30 de março de 2006
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É só festa. Muitos blocos se formam, principalmente o de políticos querendo dá uma de bonzinho. Eleição forte essa. Os brasileiros escolherão presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Confusões, assim como as de rua, comuns no período carnavalesco, começam antes das convenções.

Flagrados em uma conversa num requintado restaurante de São Paulo estavam Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Tasso Jereissati e Aécio Neves, todos do PSDB. Juram de pés juntos que não estavam ali descartando o nome de Geraldo Alckmin, Governador de São Paulo e pré-candidato tucano a sucessão do presidente Lula. Bom! Dizem por aí, que quem jura mente. O certo é que o apoio a Serra, dentro do partido, inclui as conhecidas figurinhas repetidas. Enquanto isso Lula espera o adversário, venha de onde vier. Que seja até do PMDB, rachado em nome da candidatura própria. Será se Renan Calheiros e José Sarney perderam força dentro da sigla mais poderosa do país?

E por falar no sobrenome Sarney, nestas paragens promessa de uma eleição acirrada pelo Governo do Estado. Nos discursos, tudo pelo povo do Maranhão. Nas ações, quase tudo. Quanto aos candidatos, os maranhenses ficam com a impressão de estarem vendo sempre o mesmo filme, por tabela o mesmo roteiro, a mesma cenografia, a mesma fotografia, os mesmos atores principais e coadjuvantes, o mesmo figurino e os mesmos figurantes. Aliás, como se chama o filme? Deixa pra lá. O Maranhão parece ter parado no tempo há mais de 40 anos. É nas mãos do povo que está a decisão, ou de engrossar as fileiras do atraso; ou de buscar fôlego para a construção de um estado de maranhenses fortes, educados e conscientes do papel que desempenham na sociedade.

A folia de momo está chegando e os blocos continuam se formando. Na troca de favores para darem o aspecto profano e a idéia de que tudo pode acontecer no carnaval, os políticos da eclética capital federal aproveitam o momento para livrar da cassação os comparsas. O último foi um deputado da direita, disfarçada de oposição, acusado de receber dinheiro de caixa dois. Sobre isso o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) não teve uma explicação convincente. Nem convenceram os brasileiros ante o plenário vazio por várias vezes, mesmo no auge da convocação extraordinária e do recebimento dos salários extras. Para variar, os deputados permanecem ausentes ignorando a pauta lotada de trabalho. Nela, questões de interesse da nação.

E não é que o bloco dos magistrados mascarados vai ficar menor neste carnaval. É que a decisão do STF de acabar com o nepotismo no Poder Judiciário está tirando da festa mais de 4 mil foliões em todo o território nacional. Sabe quem são eles? Parentes de desembargadores e juízes nomeados sem concurso público. O Executivo e o Legislativo que se preparem, pois o bloco desses mascarados, mesmo minguado, promete fazer muito barulho pelo fim do nepotismo nesses poderes. Se isso acontecer, Montesquieu avisa, que de onde estiver, virá ao Brasil para passar o carnaval e desfilar no bloco dos Três Poderes, sem a quantidade exorbitante de pessoas não autorizadas a participar.

Já o bloco carnavalesco dos amigos de Lula será o mais animado. Motivo: as boas notícias da economia, dos investimentos sociais e dos novos números das pesquisas eleitorais, que apontam a vitória do presidente até se houver segundo turno. O povo deve tornar a folia ainda maior. A animação ficará por conta de todas as raças, de todos os ritmos, um bloco de abadá verde e amarelo chamado Brasil. Enquanto alguns políticos fazem o povo “dançar”, Lula dança com o povo no país do carnaval.


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Inclusão: 30/03/2006