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Publicada em: 31 de janeiro de 2006
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Trata-se de uma imposição que na opinião de muitos religiosos se resolve com uma caneta, dois dedos e três letras: Não!

Os padres casados estão em toda parte. Existem pelo menos, 100 mil e 5% deles estão no Brasil. Não gostam de ser chamados de ex-padres, por causa da tradição de que “uma vez padre, sempre padre”, cuja origem alegam estar na passagem bíblica: “Você é sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4; Hb 5.6 e 7.17, EP). Por terem contraído matrimônio, com ou sem a necessária dispensa do compromisso do celibato, concedida unicamente pelo papa, esses homens foram excluídos do ministério sacerdotal, não por vontade própria, mas por imposição de uma disciplina multissecular.

Muitas vezes abandonam a batina, mas não abandonam a Igreja. É bem verdade que quebraram o celibato, mas não se trata de homens vulgares ou outro adjetivo que o valha. “Não posso acreditar que todos os 100 mil sacerdotes casados ao redor do mundo são superficiais e inconseqüentes”, confessa dom Pedro Casaldaliga, bispo de São Félix, aqui no Brasil.

O mundo inteiro registra associações de padres casados. Na Índia, onde a porcentagem de todos os cristãos não chega a 5%, existe padre casado. Em âmbito mundial há a Federação Internacional de Padres Casados. Em âmbito continental, temos a Federação Latino-Americana para a Renovação Sacerdotal.

Uma das organizações congêneres no Brasil é conhecida pela sigla MPC (Movimento de Padres Casados). Eles cada vez mais estão organizados no sentido de continuarem servindo a Deus. Das associações destacam-se: MOCEOP (Movimento Celibato Opcional, na Espanha), CCC (Catholics for a Changing Church), MOMM (Movement for the Ordination of Married Men), CITI Ministries (Celibacy Is The Issue), Parish Watch, Justice For Priests and Deacons, We Are Church, e assim por diante.

Existem cerca de 5 mil padres casados, no Brasil. Para se ter uma idéia, em Vitória (ES), existem 119 padres, 73 deles exercendo o sacerdócio e 46 casados. Segundo esses padres, 39 papas foram casados, o primeiro deles, o apóstolo Pedro.

“A Igreja Católica Romana comete uma injustiça contra este numeroso grupo de egressos, uma vez que ordena homens casados de outros ritos católicos e de outras denominações cristãs não católicas. Prefere excluir do sacerdócio os padres que se casam e mantêm no altar aqueles que têm amantes do sexo oposto ou do mesmo sexo, e aqueles que cometem abuso sexual e o crime da pedofilia. Os padres casados celebram missas, batizam, ouvem confissões e perdoam pecados alheios em nome de Deus”, ressalta Aloísio Guerra, que ordenou-se padre em 1959.

Permaneceu no sacerdócio católico apenas cinco anos, casando-se em seguida, aos 34 anos. Tem dois filhos e quatro netos. Autor do livro Celibato, Santo ou Safado? Aloísio faz uma mistura de verdade com ironia para afirmar: “O único pecado grave, capaz de afastar o padre do ministério é o sacramento do matrimônio”.

Uma coisa é abraçar o celibato por vontade própria. Outra é submeter-se a ele só por causa da vontade de abraçar a carreira religiosa. O primeiro brasileiro a tornar-se pastor evangélico foi o ex-padre José Manuel da Conceição. Embora desobrigado do celibato por ter se tornado pastor presbiteriano em dezembro de 1865, aos 43 anos, Conceição nunca se casou.

A história de Frei Betto, 58 anos, é muito parecida com a história do famoso pastor anglicano John Stott, no que se refere ao estado civil. Ambos tiveram oportunidade de se casar e não se casaram. “Só não me casei”, lembra o dominicano, “porque as mulheres que me interessaram não se interessaram por mim e as que se interessaram por mim, eu não me interessei por elas...” Já o teólogo protestante, na sua juventude, gostou de algumas moças, mas foi protelando de tal maneira o casamento que acabou se envolvendo demais no ministério e não mais achou tempo para o matrimônio. Esse é o celibato que dá certo.

Em carta a Ultimato, o cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho, 68 anos, professor do Seminário de Mariana e historiador, dá o seu testemunho: “Os padres casados alimentam a esperança da revogação do celibato obrigatório e a reintegração deles no ministério”. Aliás, de acordo com informações, o casamento dos padres quase sempre são estáveis, poucas baixas existem por morte ou por separação. Existem cerca de 200 filhos de padres casados e cerca de 60 netos.

Quase todos os padres casados avançam nos estudos e terminam por adentrar em outras profissões. Entre as profissões optadas por eles destacam-se professores, advogados, psicólogos e jornalistas.


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Inclusão: 31/01/2006