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Publicada em: 31 de janeiro de 2006
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Nascido em Itapecuru-Mirim, o cantor e compositor Raimundo Nonato Buzar vem de uma família tradicional da cidade. Há 50 anos deixou Itapecuru. Destes, passou 5 anos na França e 45 no Rio de Janeiro, onde reside atualmente. Estudou em São Luís e depois partiu para conquistar o Brasil e o mundo com suas composições. “São mais de 400”, informa, alertando que nem mesmo ele pode precisar o número exato, pois a cada minuto, aparece uma nova interpretação de suas canções.

Nonato Buzar é um daqueles compositores dignos do nome, que tem a música como uma arte, um dom. Muitas de suas belas letras ficaram imortalizadas em vozes famosas, algumas delas chegando a fazer parte da trilha sonora de novelas de sucesso. “Como itapecuruense sinto-me feliz, por ser considerado um dos grandes compositores da música popular brasileira.

Em sua rápida passagem pela terra natal, falou ao Jornal de Itapecuru.

JI – O senhor é feliz com a música?

NB – Sim. Tudo que consegui até agora devo à música, principalmente o reconhecimento, dentro e fora do Brasil. Lamento que no meu estado poucas pessoas me conheçam profissionalmente.

JI – Isso lhe entristece?

NB – No meu país sou reconhecido. Isso me alegra. Passei muito tempo fora daqui. Aqui poucas pessoas me conhecem. Mesmo assim nunca esqueci da minha terra. Em Brasília, por exemplo, que é uma cidade onde pouco vou, tenho o reconhecimento de muitas pessoas. Nem imaginava que fosse tanto assim.

JI – Todas as vezes que o senhor vem ao Maranhão visita Itapecuru. Desta vez veio por algum motivo especial?

NB – Com certeza. O que me trouxe ao meu estado foi um motivo, de fato, especial. Fui convidado pela deputada Terezinha Fernandes para dar uma ajuda no Memorial João do Vale, que está sendo projetado por Ronald Almeida. Por esse motivo estive em Brasília conversando com muita gente, inclusive com o Ministro da Cultura Gilberto Gil, e conseguimos uma verba para fazermos esse memorial, uma homenagem a um maranhense e um dos mais queridos compositores brasileiros. Os recursos serão liberados para Pedreiras. Aproveitando a deixa, perguntei ao ministro se podia sonhar em fazer na minha terra uma fundação, chamada Fundação Nonato Buzar. Um sonho que ainda quero realizar.

JI – A resposta foi positiva?

NB – Sim. Recebi a resposta de que era possível. Vim a minha terra para falar com o prefeito e não pude falar. Combinamos por telefone, mas o encontro não aconteceu. É uma tristeza, porque se não pude acertar com o prefeito para que esta fundação fosse feita aqui, terei que fazê-la no Rio de Janeiro. Será válido também porque lá tenho Título de Cidadão Carioca, recebi menção honrosa em várias oportunidades e receberei a Medalha Pedro Ernesto, pelas músicas que já fiz e continuo fazendo pela cidade do Rio. Mas o desejo era de ter a fundação na minha terra, Itapecuru-Mirim. Gostaria muito de ver essa fundação ajudando a comunidade itapecuruense. Tudo que quero é vê-la de pé ainda em vida, com abrigo para crianças desamparadas, para idosos, sala de música, sala de canto, alfabetização e uma “igrejinha” no mesmo terreno.

JI – Na sua opinião, o que acontece?

NB – Acho que no Maranhão ninguém gosta do Nonato Buzar, a não ser Itapecuru. Só quero lembrar ao Maranhão que o meu nome aparece quase quatro mil vezes na Internet, a rede mundial de computadores, porque no mundo inteiro sou conhecido. Tenho músicas gravadas por Carlos Santanna, Jimmy Cliff e tantos outros nomes da música internacional. Minhas composições correram o mundo.

JI – O senhor afirma que não esquece sua terra. Pretende voltar um dia?

NB – Essa fundação, inclusive, poderia me trazer de volta. Me dedicaria a ela e consequentemente ao município de Itapecuru. Ajudaria as pessoas daqui, geraria emprego para minha terra. Nunca esqueci e nem posso esquecer esta cidade. Minhas raízes estão aqui. No livro que vou lançar, intitulado “Planeta Meu”, vários capítulos são dedicados a Itapecuru-Mirim. Tenho onde moro, fortes lembranças da minha terra, que não me deixam esquecê-la.

JI – Que mensagem deixaria para os jovens de sua terra?

NB – É preciso ler muito. A leitura é uma das coisas mais fascinantes que existe. O livro é o melhor companheiro da juventude.

JI – Além do Memorial João do Vale e a fundação, existem outros projetos sendo articulados pelo senhor?

NB – Sim. Estou com um projeto de unir poesia e música, ou seja, estou colocando música em poesias de grandes nomes da literatura maranhense, e um disco será produzido lá no Rio de Janeiro, tendo como um dos parceiros do projeto, um nome inconteste da música popular maranhense; o amigo Josias Sobrinho.

JI – O que sente Nonato Buzar quando chega em Itapecuru?

NB – Sinto-me chegando em casa. Eu amo esta cidade. Para mim continua sendo a mesma jovem senhora de outrora, aquela onde encontrava os amigos “Belisca” e Celso Fiquene. Lamento não poder ajudá-la como gostaria. No meu pensamento, ao ver Itapecuru, ainda parece que tudo está como antes. Conheço a cultura de muitos países, mas nenhum é como o Brasil, nenhuma terra é como a velha e querida Itapecuru-Mirim, onde pretendo construir uma casa e aqui sair da vida.

JI – Qual a paixão de Nonato Buzar?

NB – Com convicção a música, em especial “Luiza”, de Tom Jobim, a mais bela canção que já ouvi.

JI – O senhor é feliz?

NB – Sim. Feliz principalmente com a minha terra. É para cá que vou retornar.


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Inclusão: 31/01/2006