Itapecuru - MA,
 

Pesquisar


   · ÚLTIMAS NOTÍCIAS
   · NOTÍCIAS
   · EDIÇÕES
   · EXPEDIENTE
   · FALE CONOSCO
   · MAPA DO SITE


   · CEP
   · Infrações
   · Licenciamento
   · Clima e Tempo
   · Links Úteis

Home » O Jornal » Edições » Edição 102 » Destaques
Página
Imprima esta PáginaEnvie texto para um amigo


Publicada em: 1 de novembro de 2005
Ajustar Fonte: AAA

O Maranhão, província do Império, era um Maranhão Novo, muito diverso do Maranhão Velho, estado colonial. Tanto assim que muito não tardaria que em São Luís se criasse um teatro (1817), em cujo palco se apresentariam companhias líricas trazidas diretamente e com exclusividade de Lisboa; que se estabelecesse uma tipografia e logo surgisse um primeiro jornal (1821) e por fim uma significativa atividade editorial; que se fundassem uma Biblioteca Pública (1836) e um Liceu (1839). Foi nesse tempo e nesse Maranhão novo, que veio ao mundo Antonio Henriques Leal, no dia 24 de julho de 1828.

Filho de Alexandre Henriques Leal e Ana Rosa de Carvalho Reis, abastados senhores rurais, ele nasceu no pequeno povoado de Cantanhede, não muito distante da Vila da Feira do Itapicuru, local onde passou a infância até que chegasse o dia em que desceria as correntezas do rio para estudar em São Luís, capital da província. Lá, após concluir seus primeiros estudos, foi para a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, a corte, de onde só regressaria, meia dúzia de anos decorridos e já homem feito, portando um diploma de doutor em medicina.

Voltou para viver e exercer a profissão em sua terra, para junto de seus familiares e onde tinha seus interesses, mas também porque sabia que São Luís era uma grande cidade, a quarta em importância e tamanho em todo o Império, só menor, mas não muito, que o Rio de Janeiro, cidade em que se formara, que Salvador, que conhecera de passagem, além de uma terceira, São Paulo, mais para o sul.

Filho de uma daquelas famílias cujos varões, ao tempo da Colônia, eram os chamados homens bons da terra, ligado a outras tantas pelos laços de amizade ou de consangüinidade, e mais com a natural penetração que lhe era facilitada pelo exercício da profissão, logo ele se integraria na sociedade local e, principalmente, naquele círculo de intelectualismo formado por seus colegas doutores que acabariam por leva-lo para algumas das não poucas sociedades literárias e culturais que então se fundariam.

Em São Luís ele pertenceu aos quadros do Instituto Literário Maranhense, que foi um dos fundadores, do Gabinete Português de Leitura, que o fez seu sócio honorário, do Ateneu Maranhense e da Associação Tipográfica Maranhense. E no Rio de Janeiro seria sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional; e, em Portugal, era sócio da Sociedade Médica de Lisboa.

Na política exerceu um mandato de vereador em São Luís, no qual foi presidente da Câmara na legislatura 1865/1866 e na legislatura seguinte 1866/1867, seus eleitores o elegeram à Assembléia Provincial, onde também os deputados, seus colegas, o poriam na chefia desse Poder.

Sua vida pública, ao que se sabe, teria se resumido praticamente nesses dois mandatos eletivos. Antes, porém, há registros de que em 1855, o presidente da Província o nomeou para o cargo de auxiliar da Junta de Higiene Pública, função que não exerceu por mais de um mês; depois que, no Rio de Janeiro, foi regente do Colégio Pedro II e diretor do Internato dessa instituição de ensino que servia de paradigma para todos os estabelecimentos de nível secundário do país.

De fato, por força dessa militância, foi que Henriques Leal se fez jornalista, a começar de “O Progresso”, de que por dois anos foi colaborador (1847/1848) e depois redator (1861); a seguir passou-se a “A Imprensa, que fundou com Fábio Alexandrino de Carvalho Reis e Antônio do Rego (1857/1861), ao “Publicador Maranhense, que também redigiu (1864/1865) e a “A Conciliação”, de que foi assíduo colaborador, todos eles jornais de natureza política. E, acostumando-se e tomando gosto pelo uso da pena, passaria a emprestá-la igualmente a periódicos outros, de natureza literária ou cultural, como foram “o Arquivo”, o “Jornal de Instrução e Recreio, e Semanário Maranhense” e a “Revista Universal Maranhense”.

Quando deixou a militância política por motivos de saúde, Antonio Henriques Leal dedicou-se, por meio de sua intelectualidade extrema, à literatura e nela encontrou prazer no desafio de biografar os primeiros varões ilustres de sua terra. E no caminho da república das letras se consagraria como publicista, historiador, biógrafo e crítico literário. E das colunas dos jornais para as páginas dos livros não seria mais que um passo.

Iniciou-se modestamente em 1860. Daí escreveu os Apontamentos Estatísticos da Província do Maranhão, um Calendário Agrícola, até chegar a publicação dos seus primeiros estudos sobre a História da Província do Maranhão.

Nesta década de sessenta ele ainda escreve, com data de 7 de abril de 1862, a “Introdução” para a História da Independência da Província do Maranhão, da autoria do Visconde de Vieira da Silva, e a “Nota Biográfica” que vem no primeiro volume das Obras de João Francisco Lisboa, de que ele próprio foi editor juntamente com Luís Carlos Pereira de Castro (Maranhão , 1864); participa sob o pseudônimo de Judael de Babel-Mandeb, do romance A Casca da Caneleira (steeplechase) por uma boa dúzia de Esperanças, que Belarmino de Matos publica no Maranhão e 186; traduz de Jules Liebig, suas Cartas sobre Química (Maranhão 1867); e fez o “prólogo” das Obras Póstumas de Antonio Gonçalves Dias, cuja edição foi por ele também promovida (Belarmino de Matos – São Luís 1868/1869).

Será, porém, na década de setenta, do mesmo século, e quando a saúde já lhe faltava, é que Antonio Henriques Leal atinge o máximo e o melhor de sua produção literária. Começou, então, com os quatro volumes do Pantheon Maranhense, editados pela Imprensa Nacional, de Lisboa, entre 1873 e 187, seguido dos dois volumes dos Apontamentos para a História dos Jesuítas no Brasil, do volume único em que reuniu suas Lucubrações, pequenos ensaios versando assuntos de história, literatura e medicina, e, finalmente, da Biografia de Antônio Marques Rodrigues, publicada em Lisboa em 1875.

De tudo quanto produziu Antonio Henriques Leal, não pode restar qualquer sombra de dúvida, é o Pantheon Maranhense seu mais notável e valioso trabalho, e valioso por excelência para os maranhenses que nele têm, e por ser uma coletânea de estudos biográficos dos vultos mais eminentes produzidos no domínio das letras pela gloriosa Província, que pela punjança de sua vida intelectual foi cognominada a Atenas Brasileira.

No primeiro volume deste importante livro pode-se encontrar as biografias de Manuel Odorico Mendes, latinista e helenista, precursor do Romantismo; de Francisco Sotero dos Reis, jornalista, gramático e historiador literário; de José Cãndido de Morais e Silva, o jovem castigado paladino da liberdade de imprensa, do Visconde de Alcântara, João Inácio da Cunha, que foi chanceler da Casa da Suplicação, ministro do Superior Tribunal de Justiça, Chefe de Polícia na Corte, senador e ministro do Império; do Barão de Pindaré, Antonio Pedro da Costa Ferreira, constituinte às Cortes de Lisboa, deputado provincial e geral, senador do Império e presidente da Província.

Sobre os demais volumes, o segundo traz dez biografias, entre elas cinco são de senadores ou conselheiros do Império, destaque para o Chefe Militar, Brigadeiro Feliciano Antônio Falcão; o terceiro é todo ele dedicado a Gonçalves Dias; e no quarto volume estão o historiador e jornalista João Francisco Lisboa, o poeta Antônio Marques Rodrigues, e um naturalista, Frei Custódio Alves Serrão.

O Pantheon Maranhense é assim como um abrangente retrato de grupo com que o autor, como se fora um fotógrafo ou pintor, tentou reunir e preservar, para o conhceimento da posteridade. Foram estes os últimos trabalhos de Henriques Leal, mesmo porque com a precariedade de sua saúde, que lhe fazia prematuro o envelhecimento, prejudicado em seus movimentos pela hemiplegia que o castigava, já não poderia dominar a pena como até então fizera.

A década de oitenta do século XIX, portanto, seria para ele o começo de um fim triste e prolongado, pois que só chegaria a seu termo no dia 29 de setembro de 1885, data em que faleceu no Rio de Janeiro, onde se fixara desde que decidira retornar de Lisboa, para onde viajara vinte anos antes.

HISTÓRIA DA ARTE

A partir da próxima edição do Jornal de Itapecuru, nesta página de Cultura, o leitor será presenteado com matérias que vão contar um pouco da História da Arte no Brasil e no Mundo. Você vai viajar pelo realismo, impressionismo, expressionismo, cubismo, surrealismo etc. Conhecerá o autor e sua obra e vai perceber o porquê da importância destes movimentos. Aguardem!


© 2005 - 2006 Jornal de Itapecuru
R. Dr. Salomao Fiquene, 59 - Itapecuru Mirim - MA - 65000-000
WEZ

Inclusão: 01/11/2005 - Alteração: 01/11/2005