DO: Presidente da Província
AO: Ministro e Secretário d’Estado dos Negócios do Império
DATA: 29 de dezembro de 1839
INSURREIÇÃO DE ESCRAVOS
Um célebre faccinoroso Cosme escapo da Capital insurrecionou a mais de vinte fazendas, e por algum tempo grande susto encutio em alguns espiritos menos fortes. Dos escravos levantados 320 se tem apresentado á um só Destacamento nosso: ainda talvez existirão outros 300 aquilombados, mas já tem sido por várias veses battidos, e mais de 160 praças de linha, e Batalhões Provisorios os perseguem.
E no último ataque, em que o proprio Cosme capitaneava os escravos, depois de duas horas de vivo fogo em que desenvolverão uma audácia inesperada, foi o malvado chefe ferido gravemente nhuma perna, morrerão 12 pretos, e houve grande número de feridos.
Felismente a insurreição não se tem estendido para os ricos distritos de Coroatá, Urubu e Codó, onde a escravatura se conserva submissa.
Os pretos insurrecionados tendo falta de armamentos se tem provido a custa dos rebeldes que apanhão desgarrados: assim aparece entre as hordas de escravos e salteadores grande intriga e ódio. A insurreição está quase extinta, e espero em pouco ter a satisfação de participar a V.Exa. que a nuvem negra, que tantos estragos ameaçava, se acha totalmente dissolvida.
Deos Guarde a V.Exa.
Maranhão, 29 de Dezembro de 1839
Ilmo. e Exmo. Senr. Manoel Antonio Galvão
Manoel Felizardo de Souza e Mello.