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Publicada em: 1 de novembro de 2005
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O Dr. Rui Palhano proferiu uma palestra esclarecedora sobre drogas em Itapecuru. O evento foi uma promoção da Secretaria Municipal de Educação e serviu de culminância do projeto pedagógico “Sou Vivo não uso Drogas”, realizado pelos seguintes estabelecimentos de ensino: Escola Integrada Mariana Luz, Centro de Ensino Fundamental Governadora Roseana Sarney, Escola Integrada João da Silva Rodrigues, Escola Municipal Osvaldo Dias Vasconcelos, Escola Municipal Raimunda Gomes Rodrigues, Escola Municipal Dr. Juvenal Nascimento, Escola Municipal Barão de Santa Rosa, Escola Municipal Santo Antonio, Escola Municipal Santa Terezinha, Escola Municipal Cônego José Albino Campos, Unidade Integrada Elano Viana de Oliveira Paula e a Escola Municipal Tancredo Neves.

Durante a solenidade de abertura Rui Palhano recebeu homenagens dos educadores de Itapecuru e também da câmara municipal. Recebeu das mãos da Secretária de Educação, Elizângela Amorim, uma singela lembrança em nome de todo o corpo docente do município, assim como o Título de Cidadão Itapecuruense, aprovado pelo legislativo, por meio de uma proposta do vereador José Luís, presidente da Câmara. O presidente ao fazer uso da palavra lembrou da importância do assunto, dizendo ser aquele um momento de reflexão para toda a sociedade.

“Vou, ao longo de minha existência honrar este título. Não medirei esforços para isso”, afirmou o Dr. Rui Palhano, que é Especialista em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo – USP; Fundador e atual Consultor Científico do Conselho Estadual de Entorpecentes – CONEN; Especialista em Psiquiatria pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ; Especialista em Psiquiatria pela Associação Médica – AMB e Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP; Membro da Academia Maranhense de Medicina; Conselheiro Titular do Conselho Regional de Medicina – CRM; e Presidente da Associação Maranhense de Psiquiatria – AMP. Portanto uma autoridade quando o assunto é o uso indevido de drogas.

Para ouvir Rui Palhano, um Itapecuru Social Clube lotado de estudantes, pais, professores, outros profissionais interessados no assunto e a sociedade em geral. “Quando se trata de drogas, todos na sociedade devem colaborar para o enfrentamento dessa questão”, estas foram as primeiras palavras do palestrante, que de posse dos números da mais completa pesquisa feita no Brasil sobre as drogas e os seus malefícios, tornou o encontro didático e esclarecedor.

A platéia teve a oportunidade de tirar dúvidas sobre o uso indevido de drogas, causas e conseqüências de uma situação que é nociva a toda a humanidade, tanto do ponto de vista social, quanto do científico. Para Rui Palhano, duas coisas são fundamentais nesse processo. A primeira, tratar a pessoa para quem o vício já virou doença; a segunda, e a mais importante, é prevenir o uso indevido de drogas. “O melhor mesmo é não experimentar”, reforça ele, que mantém uma clínica em São Luís, especializada no tratamento de drogados. Tal prevenção passa necessariamente pelo acesso à informação (as pessoas devem saber o que são drogas) e por toda uma ação educativa que dialogue, aconselhe, oriente. Além da família, a escola é essencial para alcançar resultados satisfatórios.

De acordo com Rui Palhano, a pesquisa revelou que cada vez mais a idade para o uso de drogas está diminuindo. No Brasil, começa-se a usar drogas a partir dos 10 anos, sobretudo o álcool. Entretanto, a minoria da população é viciada. Grande parte da população é saudável (por não usar drogas). O grande desafio é recuperar quem está doente e impedir que as pessoas ingressem na dependência de drogas. “Essa maioria ainda mantém o controle social”, disse Rui Palhano. Ainda segundo ele, 70 % dos usuários não tem conhecimento da dependência das drogas, o que o levou a repetir: “Esse nível de informação e conhecimento é importante que a população tenha”.

Para se ter uma idéia da problemática, só o álcool no Brasil é responsável por 10 % do vício e as mulheres estão fumando mais que os homens; o álcool responde por um 1/3 dos suicídios e 90% dos homicídios; 60% dos acidentes de trânsito, onde o motorista morre houve consumo de álcool; 35% dos alcoólatras herdaram o vício dos pais. Mesmo assim, pergunta Rui Palhano: “Não paramos de beber. Não se pára de produzir bebidas alcoólicas. Por que? Vale lembrar também que 98% dos problemas de câncer no pulmão são causados pelo cigarro e a substância nociva chamada nicotina; além de 35% dos infartos no miocárdio. O ser humano ainda pode ter a companhia da heroína, do crack, do ecstasy, e tantos outros tipos de drogas.

DROGAS – É importante frisar que todas as drogas de abuso: álcool, cigarro, maconha, cocaína etc, afetam diretamente o sistema nervoso central e todos os usuários pagam um preço muito alto, pois as funções cerebrais e humanas são alteradas, ocorrendo uma disfunção dessas funções. Já está provado cientificamente que as drogas ocupam mecanismos naturais do ser humano.

Drogas são substâncias utilizadas para produzir alterações, mudanças nas sensações, no grau de consciência e no estado emocional. As alterações causadas por essas substâncias variam de acordo com as características da pessoa que as usa, qual droga é utilizada e em que quantidade, o efeito que se espera da droga e as circunstâncias em que é consumida. Drogas são tanto as substâncias ilegais como a maconha, a cocaína e o crack, como muitas substâncias legalizadas como por exemplo o álcool e o cigarro.

As drogas atuam no cérebro afetando a atividade mental, sendo por essa razão denominadas psicoativas. Basicamente elas são de três tipos: Drogas que diminuem a atividade mental – também chamadas de depressoras. Afetam o cérebro, fazendo com que funcione de forma mais lenta. Essas drogas diminuem a atenção, a concentração, a tensão emocional e a capacidade intelectual. Exemplos: ansiolíticos (tranqüilizantes), álcool, inalantes (cola), narcóticos (morfina, heroína).

Drogas que aumentam a atividade mental – são chamadas de estimulantes. Afetam o cérebro, fazendo com que funcione de forma mais acelerada. Exemplos: cafeína, tabaco, anfetamina, cocaína, crack. E drogas que alteram a percepção – são chamadas de substâncias alucinógenas e provocam distúrbios no funcionamento do cérebro, fazendo com que ele passe a trabalhar de forma desordenada, numa espécie de delírio. Exemplos: LSD, ecstasy, maconha e outras substâncias derivadas de plantas.

DEPENDÊNCIA – É o impulso que leva a pessoa a usar uma droga de forma contínua (sempre) ou periódica (freqüentemente) para obter prazer. Alguns indivíduos podem também fazer uso constante de uma droga para aliviar tensões, ansiedades, medos, sensações físicas desagradáveis etc. O dependente caracteriza-se por não conseguir controlar o consumo de drogas, agindo de forma impulsiva e repetitiva.

A dependência física caracteriza-se pela presença de sintomas e sinais físicos que aparecem quando o indivíduo pára de tomar a droga ou diminui bruscamente o seu uso: é a síndrome da abstinência. Os sinais e sintomas de abstinência dependem do tipo de substância utilizada e aparecem algumas horas ou dias depois que ela foi consumida pela última vez. No caso dos dependentes de álcool, por exemplo, a abstinência pode ocasionar desde um simples tremor nas mãos a náuseas, vômitos e até um quadro de abstinência mais grave denominado “delirium tremens”, com risco de morte, em alguns casos.

Já a dependência psicológica corresponde a um estado de mal-estar e desconforto que surge quando o dependente interrompe o uso de uma droga. Os sintomas mais comuns são ansiedade, sensação de vazio, dificuldade de concentração, mas que podem variar de pessoa para pessoa.

Com os medicamentos existentes atualmente, a maioria dos casos relacionados à dependência física podem ser tratados. Por outro lado, o que quase sempre faz com que uma pessoa volte a usar drogas é a dependência psicológica, de difícil tratamento e não pode ser resolvida de forma relativamente rápida e simples como a dependência física.

Apesar dos esforços da medicina, que já começou a trabalhar uma vacina contra a cocaína, o uso indevido de drogas continua sendo um problema sério que dilacera a sociedade. “Um filho que é viciado em drogas é um problema da família inteira”, ressalta Rui Palhano, que também é categórico: “A melhor coisa que fazemos é prevenir, é evitar, pois uma vez dependente, sempre dependente”.

Um grande debate com a participação ativa dos jovens presentes encerrou o evento, mas não a discussão sobre o assunto, que deve ser de permanente reflexão em toda a sociedade.


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Inclusão: 01/11/2005