Roberto Jefferson foi o primeiro parlamentar cassado por conta das denúncias do “mensalão”, das quais ele é o autor. Severino renunciou por causa do “mensalinho”, e o processo contra José Dirceu, ex-ministro forte do governo Lula, continua. Brasília pega fogo.
A crise política está longe de um desfecho. A briga agora é pela presidência da Câmara dos Deputados. Quem será o sucessor de Severino? A oposição apóia José Thomaz Nonô (PFL-AL), atual vice-presidente da Casa. Mas o PT, a maior bancada, tem nomes fortes para concorrer ao cargo, entre eles o do deputado Luís Eduardo Cardozo (PT-SP). Dizem parlamentares da oposição que a presidência da Câmara não será entregue facilmente. Lula pede prudência ao PT e aos seus líderes no Congresso, defendendo que se discuta um nome de consenso entre governo e oposição.
Antes, Severino Cavalcante (PP-PE) não suportou a pressão e renunciou ao cargo. A pressão veio dos dois lados; governo e oposição, logo após a confirmação das denúncias de que o deputado recebeu dinheiro do empresário Sebastião Buani, o que ficou conhecido como “mensalinho”. Reunido com o presidente Lula por uma hora, Severino informou sobre a renúncia e como resposta ouviu que aquela deveria ser uma questão pessoal dele. O Planalto indicou ao ainda deputado que ao menos Márcio Fortes está garantido no posto de ministro das Cidades.
Antes da conversa entre Lula e Severino, entre as regras estabelecidas, a principal era discrição. Lula não queria ser pressionado a apoiá-lo nem admitiu que a conversa enveredasse pelos cargos que o ex-presidente da Câmara mantinha no governo.
No discurso-despedida de Severino Cavalcante o governo não foi atacado. Em sua defesa Severino disse que não pegou o “mensalinho”, como acusou Buani. Parecia não ter ódio nem mágoa. Diferente de Roberto Jefferson, que no discurso de despedida no dia de sua cassação, criticou o governo e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusando Lula de preguiçoso e o governo de corrupto. Sobre Lula, Jefferson afirmou: “É malandro e preguiçoso. Gosta de passear de avião. Governar que é bom, ele não gosta”, delegou. Sobre o governo, disse: “Esse é o governo mais corrupto que testemunhei em 23 anos. O mais escandaloso processo de aluguel parlamentar jamais visto”. Foi aplaudido mais de uma vez.
Já para José Dirceu (PT-SP) o futuro é incerto e negro. O processo de cassação continua no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar. Surpresas desagradáveis ainda estão por vir, como a proposta que foi protagonizada pelo PTB, quando tentou retirar as acusações contra os deputados Dirceu e Sandro Mabel, rejeitada pelos parlamentares do conselho.
A crise promete ainda muitos desdobramentos.