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Publicada em: 1 de novembro de 2005
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Na teoria do jornalismo aprende-se que o jornalismo brasileiro, e por conseguinte a imprensa brasileira foram moldados no jornalismo americano, tradicionalmente livre, aprimorado pelos princípios democráticos. A imprensa americana tem a força da opinião pública a seu favor e foi crucial nos desfechos históricos em questões como a guerra do Vietnã e o caso Watergate, que culminou com a renúncia do presidente Richard Nixon, continuando sua forte atuação durante a Guerra Fria, a Guerra do Golfo financiada por Bush pai, os escândalos envolvendo Bill Clinton e mais recentemente as atrocidades cometidas por Bush filho, com suas causas e conseqüências para o povo afegão, para o povo iraquiano, para toda a humanidade.

O poder da imprensa é incontestável, para muitos o quarto poder. No Brasil, país assim como os Estados Unidos, dito democrático, a atuação da imprensa de uns tempos para cá tem surpreendido a própria opinião pública. Depois da censura dos militares, o que mais se prima num trabalho de comunicação social é a liberdade de pensamento e de expressão e junto a isso o desejo permanente de que a imprensa seja “livre”, livre para analisar, interpretar e investigar a realidade, apurar a verdade dos fatos e ter o dever de manter o povo sempre bem informado.

A imprensa brasileira passou a denunciar mais, cobrar mais, exigindo que os direitos dos cidadãos sejam respeitados. Neste momento de crise, ela tem sido uma aliada importante no combate a corrupção e a impunidade. Crises são passageiras, mas o papel da imprensa, este fica para a posteridade. Se forem contabilizadas todas as crises - sejam políticas, sociais ou econômicas – pelas quais o Brasil e o povo brasileiro já passaram, pode-se dizer que nesta, em especial, a imprensa está cumprindo responsavelmente seu papel e sua função social.

Se ainda não temos uma imprensa que se diga “livre”, temos ao menos uma que se esforça para ser respeitada. É o que vemos nos prognósticos e nas análises feitas por ela quanto ao futuro do país e nos diagnósticos do cotidiano, que atestam que os brasileiros já não suportam mais a “cara-de-pau” de políticos desonestos, dizerem que nada tem a ver com a vergonha nacional chamada corrupção. O empurrãozinho que as cobranças diárias da imprensa têm proporcionado, está apressando investigações, encontrando culpados, caçando “políticos bandidos” e bandidos enfiltrados na política para levar vantagem em tudo.

Esse trabalho em nome da seriedade, da moralidade e do respeito ao eleitor, está patrocinando uma onda de abandono no congresso. Muitos envolvidos em esquemas não suportam a pressão da imprensa e da opinião pública e só têm duas saídas, renunciar ou esperar a cassação. Entre a cruz e a espada está Severino Cavalcante, presidente da câmara; entre os que renunciaram figuram Valdemar da Costa Neto, ex-presidente do PL e Carlos Rodrigues (o Bispo Rodrigues); e entre as cassações está a mais recente: Roberto Jefferson, o pivô da crise dentro do governo e dos partidos da base aliada. Sem falar que na lista dos que ainda podem ser cassados, estão 18 nomes, entre os quais o de José Dirceu, o ex-todo-poderoso ministro de Lula.

Enquanto a crise se desdobra, a “oposição” tenta, por meio da imprensa, primeiro, se safar de qualquer respingo venenoso que coloque no turbilhão aliados (já houve indícios); segundo, procura encontrar antídotos para o país, coisas que não fez em outras crises conhecidas por ela e pelos brasileiros, que acompanharam tudo pela imprensa, esquemas como Collor, que resultou na renúncia do presidente da República, e Sudam, que fez Jáder Barbalho, então presidente do congresso, renunciar para não ser cassado (fatos ainda na memória nacional); e terceiro, busca de qualquer maneira uma brecha para o impeachment de Lula (a imprensa que não se deixe levar por delírios).

Enfim, se o Brasil está mudando, isto é uma incógnita, mas ver Paulo Maluf e o filho presos acusados como qualquer “ladrão” digno do nome, seria improvável até bem pouco atrás. Um dia Getúlio Vargas bombardeado pela imprensa e abandonado pelos aliados saiu da vida para entrar na história. Um dia Jânio Quadros, quis varrer a corrupção do país e foi impedido pelas mesmas forças ocultas que lhe fizeram renunciar em apenas seis meses de governo, com a ajudinha da imprensa, é claro. Hoje, é Lula que está sendo avaliado pela imprensa e julgado pelo povo. Certamente, não vão lhe faltar força e paciência para que o único e decisivo destaque da imprensa nacional seja a verdade, sendo ela qual for. Assim todos os que fazem a imprensa estarão com suas consciências tranqüilas.


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Inclusão: 01/11/2005