O projeto de aproveitamento integral do coco babaçu das mulheres rurais de Itapecuru-Mirim, que fazem parte do Coletivo de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Maranhão, foi reconhecido como uma experiência social inovadora pelo Banco Mundial, que concedeu às quebradeiras de coco o terceiro lugar no prêmio Banco Mundial de Cidadania 2005 – Voz Mulher.
O primeiro lugar ficou com um projeto de floricultura de uma associação de mulheres da Paraíba. Em segundo lugar foi escolhido o projeto de capacitação de mulheres indígenas na geração de renda através do artesanato (elas aprenderam o valor de produzir renda e de comercializar). O Coletivo de Mulheres do Maranhão dividiu o terceiro lugar com a Associação dos Beijuzeiros da Bahia.
Concorreram ao prêmio do Banco Mundial somente as mulheres rurais do Nordeste, sendo que os nove estados inscreveram três projetos inovadores de desenvolvimento sustentável cada um, com um total de 27 experiências inscritas. A experiência das quebradeiras de coco de Itapecuru faz parte do Projeto Quebra Coco, desenvolvido pela Superintendência da Agricultura Familiar e Reforma Agrária, vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Seagro, para as mulheres rurais que vivem do extrativismo vegetal do coco babaçu.
Para Maria Domingas Marques Pinto, presidente do Coletivo de Mulheres Trabalhadoras Rurais, as quebradeiras de coco aproveitam o óleo para fazer o sabão e o sabonete. Já do mesocarpo elas fazem biscoitos, pães, bolos e chocolate. Maria Domingas disse ainda que “o reconhecimento do Banco Mundial à experiência de geração de renda com o coco babaçu em Itapecuru- Mirim valoriza a cidadania da mulher rural quebradeira de coco e reconhece o projeto econômico de aproveitamento integral do coco babaçu”.
O superintendente estadual de Agricultura Familiar e Reforma Agrária, José Mário Frazão, ressaltou que a premiação reconhece o trabalho de inclusão social das quebradeiras pelo Projeto Quebra Coco. Ele disse ainda que o projeto é o resultado de mais de 15 anos de pesquisas para a construção da concepção técnica.
O próprio Frazão esteve à frente dos estudos e experimentos, em que foi criado um conjunto de máquinas que quebram e separam os componentes do coco. A torta, um resíduo da extração do óleo, é associada à farinha amilácea do mesocarpo para compor uma ração usada na alimentação de aves caipiras e suínos, agregando valor ao produto. A secretária estadual de Agricultura, Conceição Andrade, disse que essa premiação do Banco Mundial reconhece o esforço empreendedor da mulher rural maranhense que vem procurando inserir- se na economia de mercado com projetos produtivos sustentáveis de geração de renda: “Esse prêmio é um importante selo de certificação a um projeto de agricultura sustentável, que promove o desenvolvimento com equilíbrio, preservando os recursos naturais”. “O projeto é fruto da parceria entre o governo do estado e das mulheres quebradeiras de coco socialmente organizadas”, completou Conceição Andrade.
Além do projeto de aproveitamento integral do coco babaçu, do Coletivo de Mulheres, também disputaram pelo Maranhão ao prêmio do Banco Mundial, o projeto de fabricação de sabonetes de andiroba, da Associação de Produtores de Andiroba de Axixá (que tem financiamento do Programa de Combate à Pobreza Rural, PCPR) e o projeto de capacitação e qualificação para garantir emprego e renda, do Grupo de Mulheres Negras Mãe Andresa.
Uma das unidades do Projeto foi construída numa parceria do governo do estado com o Banco Mundial. Para o superintendente Estadual do Núcleo de Programas Especiais (Nepe), Gualhardo Prazeres, o selo “atesta que o projeto está dando certo e melhorando a qualidade de vida das trabalhadoras rurais maranhenses. As mulheres do Projeto Quebra Coco, de Itapecuru-Mirim, conquistaram um selo internacional, podendo comercializar seus produtos como oriundos de um projeto social de uma comunidade rural brasileira”.
Junto com Maria Domingas, estiveram em Recife representando as mulheres rurais maranhenses, Francerli Santos Neres, Associação de Produtores de Andiroba de Axixá, e Josanira Rosa Santos da Luz, Grupo de Mulheres Negras Mãe Andresa. “O prêmio é mais uma forma de participação social das comunidades, de aproximar a sociedade civil das operações do Banco Mundial; de ajudar as comunidades buscarem recursos e participarem dos programas de governo, estreitando relações com o banco” definiu Carla Zardo, assistente do Departamento da Sociedade Civil do Banco Mundial, em Brasília.
O prêmio Banco Mundial de Cidadania foi entregue durante o Encontro Nordeste de Experiências Sociais Inovadoras, em Recife no final da semana passada.