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Fonte: Edição 100 - Julho de 2005
Publicada em: 2 de agosto de 2005
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Quando ainda era a Vila de Itapecuru-Mirim, um casarão, com características coloniais e arquitetura lusitana, foi erguido próximo ao Rio Itapecuru.

Trata-se do prédio que abrigou a secular cadeia pública do município e hoje cede suas paredes históricas para a Casa de Cultura Profº João Silveira.

Antes de tudo, o casarão, ainda no século XIX, serviu de residência para o Dr.Raul Lins e Silva, juiz que honrou esta comarca.

Após este período áureo, suas dependências serviram como cadeia pública por longos anos.

Foi lá, que nos tempos da Balaiada, Luís Alves de Lima esteve hospedado, quando foi mandado pelo imperador para conter a revolta.

Foi lá também o lugar onde Cosme Bento das Neves, O Negro Cosme, ficou preso até o momento de sua execução.

A prisão de Negro Cosme foi relatada neste comunicado de Luís Alves de Lima ao Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Guerra, datado de 28 de Fevereiro de 1841, que diz: “Ilmo. e Exmo. Sr. Tenho a honra de anunciar a V. Exª. para que se digne levar ao conhecimento de sua Magestade O Imperador, que para complemento da inteira pacificação desta Província foi preso em um lugar denominado - Calabouço – distrito do Mearim, o infame Negro Cosme réo de tantas mortes friamente perpetradas por sua própria mão, e de que ele se ufana; e já nesta capital se acha para receber o castigo de seus crimes.

No dito lugar Calabouço houve um renhido ataque, e os aquilombados fizeram desesperada resistência, mas afinal mais de 50 ficaram mortos sobre o campo, e quantos e tantos foram capturados, sendo assim completamente destruído esse quilombo (...)”.

A sentença de morte do Negro Cosme foi cumprida, em praça pública, na Vila do Itapecuru-Mirim, no dia 20 de Setembro de 1842.

O casarão foi palco destes acontecimentos históricos, que escreveram uma parte da história do Brasil, do Maranhão e de Itapecuru-Mirim.

De lá para cá, o prédio continuou servindo de cadeia pública da cidade, para onde iam presos perigosos, até de outras localidades.

Detentos que tiveram de suportar o barulho ensurdecedor do enorme motor a óleo diesel, que serviu de gerador de energia para a cidade entre o final dos anos 40 e início da década de 50, no governo do prefeito Miguel Fiquene.

Motor que até hoje está no local, onde está sendo montado um museu para a comunidade itapecuruense.

De tão importante, o casarão recebeu, em 1968, uma homenagem do povo de Itapecuru, na pessoa do ministro Evandro Lins e Silva, filho do juiz Raul Lins e Silva, morador ilustre do local.

Depois de um longo período de abondono e ruínas, o prédio foi restaurado para, a partir daí, ser transformado na Casa da Cultura de Itapecuru.

“A cultura de uma comunidade, traduz suahistória”

Tantas histórias lá vivenciadas, o tornam único.

Com suas paredes altas, longos corredores, portentosas portas e imensas janelas com grades centenárias, os mistérios se escondem nos ambientes clássicos de uma época que não mais voltará.

Entre os mistérios, relatos de histórias de fantasmas, como a que conta o vigia do prédio José Milton da Conceição.

Segundo informa, uma mulher vestida de branco aproximou-se dele para pedir luz.

Em outro caso, José Santana, responsável pela escola de música do município, afirma que um dia estava sozinho no prédio trabalhando quando viu um homem vestido de branco entrar pela principal porta do casarão, indo para os fundos e não retornando.

Detalhe: todas as salas, exceto a que José Santana ocupava, estavam fechadas.

Estas são histórias pitorescas do passado desta cidade de 135 anos, que ainda hoje povoam o imaginário e o universo cultural do povo itapecuruense.

CASA DA CULTURA – E como não poderia deixar de ser, atualmente o casarão secular abriga a Casa da Cultura Profº João Silveira, que tem por objetivo preservar e divulgar a cultura de Itapecuru, promovendo exposições, oficinas, exibições de filmes, etc.

Nos dias de hoje, a Casa da Cultura resgata histórias, causos e as memórias paisagística, arquitetônica e artística de Itapecuru-Mirim.

“A cultura de uma comunidade, traduz sua história”, ressalta a diretora da Casa da Cultura, Maria de Fátima Araújo Silva.

De acordo com ela essa casa é de grande valia e representa a memória viva e histórica do nosso município, que durante algum tempo foi esquecida.

Fátima Araújo explica que o espaço é um patrimônio de Itapecuru, lugar específico para guardar documentos e acervos pessoais dos homens e mulheres ilustres deste município.

Essa idéia pode ser colocada em prática com a incorporação do museu a Casa da Cultura.

Inclusive já existem alguns objetos doados, outros tantos precisam ser resgatados junto a quem possa ceder materiais e documentos sobre Joaquim Gomes de Souza, Mariana Luz, João da Silva Rodrigues, Luís Bandeira de Melo, Raimundo Nonato Ferraz, Joaquim Araújo, Osman dos Santos Coelho, Graciete Cassas e Silva, Leonel Amorim, entre outros.

Vale ressaltar que a idéia do museu já começou a vingar, com a exposição de poucos, mas expressivos objetos.

Desde que a Casa da Cultura passou a se chamar Profº João Silveira, em homenagem a um de seus diretores e conhecido intelectual itapecuruense, por força da Lei Municipal nº 743/98, vem desenvolvendo atividades singulares e de muito impacto junto à comunidade.

Hoje, além de tudo que foi dito, abriga um dos orgulhos de Itapecuru-Mirim, a Escola de Música Municipal Joaquim Araújo.

A Casa da Cultura está aberta para a comunidade e tudo que ela pode oferecer para as futuras gerações.


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Inclusão: 02/08/2005