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Fonte: Edição 100 - Julho de 2005
Publicada em: 2 de agosto de 2005
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Quando resolvi aceitar a falar com a jornalista Kamila Fernandez, da folha de São Paulo, e depois a TV Mirante, sobre a dinâmica de que como funciona no interior do PT em relação as suas finanças, minha intenção foi contribuir para o que companheiro Hélio Bicudo chama “refundação do PT”.

Estou cônscio das conseqüências que as minhas declarações podem trazer para mim enquanto cidadão e pai de família.

Penso que estou contribuindo para colocar um ponto final no processo oligárquico que se instalou no PT.

O PT aqui no Maranhão fala tanto em acabar com as oligarquias do Estado, mas é incapaz de acabar com a sua própria.

Sou uma pessoa de hábitos simples, nunca pensei em ser um homem rico ou de poder.

Quando escolhi me filiar a um partido de esquerda foi em conseqüência das minhas idéias, da minha concepção de sociedade, do homem e do mundo.

Aliás, uma das coisas que me orgulho é que quando decidi me filiar a um partido foi por iniciativa própria, pois queria colocar na prática política meus ideais.

Não me filei por modismo ou por ter sido levado por alguém. Assim, em 1989 me filei ao Pc do B e no início da década de 90 ingressei no PT quando dirigente estudantil na Uema.

Tenho certeza que muitos que me conhecem ficaram surpresos com as minhas declarações dadas à imprensa.

O próprio presidente do PT, Washington Luis, teria dito à jornalista da folha de São Paulo que não entendia minhas declarações porque eu teria saído do PT “sem brigar”.

Realmente sair sem brigar, mas sair fazendo duras críticas à condução do partido a nível nacional e estadual.

Antes da minha do meu desligamento do PT, escrevi e publiquei vários artigos onde denunciava os desmandos da corrente articulação e maneira como a mesma trata o partido, fazendo do mesmo algo privado para os interesse de um grupo de dirigentes a ela ligados.

Tudo o que disse à imprensa é do conhecimento de muitos petistas.

A história das contas particulares realmente acontece, mas nem sob tortura direi os nomes das pessoas que emprestaram suas contas bancárias.

Não direi pelo simples fato das mesmas terem feito isso de boa fé e porque acreditaram (ou acreditam) numa causa.

Não digo porque tenho certeza de que eles não ficaram com nenhum centavo.

Mais: eu também disponibilizaria minha conta particular para receber recursos para serem usados na luta política caso um companheiro de tendência me solicitasse, pois até as denúncias feitas pelo Roberto Jefferson eu acreditava na honestidade dos principais dirigentes petistas.

Lamento profundamente o constrangimento que causei para muitos companheiros e principalmente para minha esposa e meus familiares que estão sofrendo muito com essa história.

Fiz tudo pensando em contribuir para passar a limpo um partido que foi sujo por conta dos interesses de uma oligarquia interma e perversa que em nada se diferencia em forma e conteúdo da que domina o Maranhão há quatro décadas.

Espero que os filiados do PT que participarão das eleições internas do partido, em setembro, saibam escolher os seus novos dirigentes de forma democrática e livre.

O PT tem que ser arrancado das mãos daqueles que dizem que o amam, mas em verdade o usam como instrumento privado de seus interesses imediatos.

Lembro a todos os meus amigos e companheiros do PT que assim como aquele senador gosta de vociferar “Maranhão, minha terra, minha paixão”, também há petistas ilustres que dizem; “PT, meu partido, minha paixão”.

Mas quem ama não maltrata e nem usa o objeto amado para maltratá-lo.


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Inclusão: 02/08/2005