Itapecuru - MA,
 

Pesquisar


   · ÚLTIMAS NOTÍCIAS
   · NOTÍCIAS
   · EDIÇÕES
   · EXPEDIENTE
   · FALE CONOSCO
   · MAPA DO SITE


   · CEP
   · Infrações
   · Licenciamento
   · Clima e Tempo
   · Links Úteis

Home » O Jornal » Edições » Edição 99 » Destaques
Página
Imprima esta PáginaEnvie texto para um amigo

Fonte: Edição 99 - Junho / Agosto de 2005
Publicada em: 1 de agosto de 2005
Ajustar Fonte: AAA

A epidemia do HIV/Aids é uma realidade mundial, se alastra de modo expressivo nas regiões mais pobres do planeta e contribui para o agravamento da pobreza e para o endividamento dos países. Essa epidemia afeta as pessoas na plenitude de sua vida e combina a falta de recursos ao alto custo da atenção.

Apesar de uma tendência à pauperização (pobreza) da epidemia de aids no Brasil, essa ainda está concentrada, paradoxalmente, nas regiões mais ricas, mas que também concentram os mais altos índices de desigualdade e exclusão econômica e social, como é característica das periferias das grandes cidades.

No mundo, especialmente na África, existem segundo dados oficiais, cerca de 25 milhões de aidéticos e outros milhões infectados pelo HIV, atestando que a pobreza é sim um fator preponderante para o aumento da epidemia, mas não é o único, estamos falando de uma doença que não escolhe idade, raça, religião, classe social, ou mesmo faz distinção entre regiões ricas ou pobres. O vírus HIV está nos quatro cantos da Terra e a Aids tem feito vítimas na Oceania, na Ásia, na África, na Europa, na América, e também no Brasil, no Maranhão e até em Itapecuru.

No Brasil, o total de casos de aids acumulados no período de 1980 a março de 2002 chegou a 237.588 notificações, sendo 63.560 em mulheres. Atualmente o Ministério da Saúde estima que cerca de 600 mil brasileiros estejam infectados pelo HIV na faixa etária de 15 a 49 anos (0,65% da população). São 3.702 municípios do país com casos de aids (66% do total). Por ano são 21 mil novos casos (incidência de 15 casos por 100 mil habitantes), uma epidemia com tendências de heterossexualização, feminização, interiorização e pauperização. São 10 mil óbitos ao ano e 120 mil desde 1980. E como o vírus é mutante, os números mudam a todo momento e o que é pior, sempre aumentam.

O crescimento da epidemia torna-se mais diferenciado entre homens e mulheres, atinge cada vez mais os jovens, as crianças e já tem casos até entre os idosos. Ela cresce nove vezes mais entre as mulheres do que entre os homens. No início da epidemia, a quase totalidade dos casos tinha escolaridade superior ou média (75% em 1985) sendo que nos anos subseqüentes, houve uma tendência de aumento de casos com menor escolaridade.

Esses dados refletem que a falta de informação sobre a doença, formas de contágio e proteção são causas do avanço da epidemia. E como a aids é uma doença incurável, a prevenção continua sendo a melhor forma de controle. Controle que passa necessariamente pelo uso da camisinha, seja ela masculina ou feminina, distribuída gratuitamente pelo Programa Nacional de DST/AIDS.

Até 2003 o Maranhão acumulava 2.258 casos de aids notificados, sendo naquela ocasião 1.618 homens e 640 mulheres (número que certamente já aumentou). Entre os municípios de maior importância epidemiológica estão São Luís, Imperatriz, Timon e Caxias. Isto não quer dizer que os outros municípios do estado estejam fora dessa lista, apenas concentram menos casos que os municípios citados, mas nem por isso expressivos. Itapecuru-Mirim é um deles.

A cidade teve o primeiro caso de aids diagnosticado em 1988 e até 2003 já eram 26 casos notificados, seis de HIV + e vinte de Aids +. Desse total, a situação era a seguinte: 18 pessoas vivas e 8 mortos vítimas da aids. Só em 2004 foram quatro óbitos. Hoje, segundo informações do Centro de Testagem e Aconselhamento de Itapecuru-Mirim, uma unidade da prefeitura municipal, são 30 casos confirmados de aids e se levarmos em consideração o fato do alastramento da epidemia, não se pode precisar o número exato de portadores do HIV. Porém estima-se que a proporção é de 1 para 100, ou seja, uma pessoa infectada pode contaminar outras cem pessoas, caso o teste não seja feito logo para a constatação ou do HIV ou da Aids positivos.

O fato de ser portador do vírus HIV – que necessita de três testes incluindo o confirmatório para ser detectado - não significa que a pessoa já seja aidética. Para esse diagnóstico é necessário que o paciente apresente uma carga viral determinada que leve aos sintomas da doença.

De acordo com estudos científicos o prazo pode chegar a dez anos até que a doença propriamente dita se manifeste. A mutação do vírus HIV age de maneira diferente no organismo humano e isso tem dificultado a busca da cura da aids, pois quando um tipo do vírus é isolado, outros tipos aparecem com propriedades diferentes, tornando a doença ainda mais forte e mais avassaladora.

“As classes inferiores são as mais afetadas pela contaminação do HIV e o que mais contamina os itapecuruenses é a relação sexual desprotegida. As causas; o comportamento sexual da população, a promiscuidade, a troca constante de parceiros. E isto é tão certo que por outras formas de contágio até o momento não se tem confirmado a contaminação”, ressalta Maria Ivonete Coelho Melo, Coordenadora Municipal de DST/ HIV/AIDS. Como a aids é uma doença transmitida através de contato com sangue contaminado pelo HIV, não se tem notícia no município de contaminação por transfusão de sangue ou usuários de drogas injetáveis, por exemplo. Em Itapecuru, todos os casos de aids notificados, a transmissão foi via relação sexual, daí a necessidade do uso da camisinha, mesmo entre o casal, pois a única certeza que se tem é que em 100% dos casos a doença leva a morte.

CTA - Diante desse quadro negativo, o CTA tem dado sua parcela de contribuição. O centro é o resultado de uma política séria de combate as doenças sexualmente transmissíveis, executada em parceria por todas as esferas governamentais. Esta é, principalmente, uma política de prevenção e controle, que entre outras ações garante a distribuição gratuita de preservativos e do coquetel antiaids, via Sistema Único de Saúde – SUS.

A regularidade na distribuição do coquetel (composto de vários medicamentos) serve para controlar a taxa viral do paciente, possibilitando que ele leve uma vida normal, mesmo que esteja com aids. O efeito dos remédios pode retardar os sintomas e amenizar a situação do aidético, de forma que não seja atacado pelas chamadas “infecções oportunistas”, comuns neste tipo de doença. Tais infecções atingem em cheio o organismo já debilitado pelo vírus HIV, que quando entra no organismo destrói as defesas do corpo (o sistema imunológico e a produção de anticorpos).

No Centro de Testagem e Aconselhamento também é feito o trabalho de prevenção, que começa com palestras e debates sobre todas as DST’s e a Aids com a comunidade. As atividades educativas são feitas junto a comunidade e envolve também as escolas. Alertar sobre os riscos de contrair a aids ou qualquer outra doença sexualmente transmissível, especialmente a sífilis (outra que desafia a saúde pública em Itapecuru, com muitos casos notificados) é um passo importante para vencer o preconceito, muito presente quando o assunto é HIV/Aids. “Todos podem pegar aids e muitos são portadores do HIV sem saber. Por este motivo não se justifica o preconceito”, reforça Maria Ivonete.

O apoio a essas pessoas é fundamental para amenizar o sofrimento e o desespero. São vidas que mudam de uma hora para a outra, mas que nem por isso deixam de viver. Muitas procuram o CTA para encontrar o carinho, a atenção e a palavra amiga, que a sociedade dispensa. “Quando fui informada sobre o HIV positivo fiquei mal. Entrei em depressão, pois parecia que a vida tinha acabado para mim. Com o passar do tempo modificou tudo. Comecei a tomar os medicamentos, melhorei muito e hoj e me sin to b em”, dis se M.L.A., 49 anos.

A política brasileira de prevenção e combate a aids é reconhecida mundialmente. Com a disponibilidade de tratamento com anti-retrovirais, há uma redução considerável na mortalidade por aids e uma melhora na qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV e aids. Os projetos e ações apoiadas desde 1994 cumpriram dois papéis tidos como fundamentais: oficializar o reconhecimento da esfera governamental em relação à relevância da organização e mobilização social face à epidemia e o de garantir o intercâmbio de informações, a discussão de questões vinculadas à visibilidade da epidemia no país e o respeito à cidadania e aos direitos humanos e à assistência para as pessoas vivendo com HIV/Aids. O projeto Nascer que trabalha especificamente com gestantes portadoras do vírus HIV é um deles. Em Itapecuru é o Hospital Regional Adélia Matos Fonseca que executa em parceria com o CTA. “A primeira pergunta que me fiz foi como isto tinha acontecido comigo. Eu já não queria mais ficar perto das pessoas.

Depois de conversar com outros portadores do HIV comecei a entender que poderia viver normalmente. Comecei a tomar os remédios e hoje sinto-me melhor do que antes. Tive que buscar informações sobre a doença para tomar os cuidados necessários”, afirmou D.M.F., 40 anos. Informar sobre os cuidados necessários é o que vem fazendo o CTA, para isso dispõe de uma equipe técnica especializada, composta de assistente social, bioquímico, auxiliar de laboratório, enfermeiro, técnico de enfermagem, entre outros profissionais.

Entre os serviços oferecidos estão o aconselhamento coletivo, o aconselhamento individual, o teste Anti-HIV, CTA Volante, preservativos. As camisinhas estão à disposição da população, bem como o teste. As autoridades de saúde garantem o sigilo das informações. Somente a pessoa que faz o teste, recebe o resultado, seguido de uma sessão de aconselhamento. Quem quiser fazê-lo é gratuito e em Itapecuru está disponível nas unidades básicas de saúde Osman dos Santos Coelho (Malvinas), Miguel Lauande Fonseca (Mangal Escuro) e nos postos de saúde dos bairros Roseana Sarney, Torre e dos povoados Entroncamento e Leite.

O QUE É A AIDS

É a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. É uma doença causada pelo vírus HIV, que destrói os mecanismos de defesa do corpo humano, provocando a perda da imunidade (resistência) natural, permitindo o aparecimento de várias doenças chamadas de oportunistas.

A doença surgiu no início da década de 80. Posteriormente identificada como uma síndrome, conhecida mundialmente pela sigla Aids.

Os primeiros casos conhecidos de aids foram notificados entre os anos de 1977 e 1978 e ocorreram no Haiti, Estados Unidos e nos países da África Central.

Desde o surgimento até o momento a aids foi caracterizada como epidemia por parte dos organismos governamentais. A população atingida foi sendo ampliada de maneira geral, crianças, mulheres e indivíduos expostos a sangue e hemoderivados.

Os avanços tecnológicos, as pesquisas clínicas e os dados epidemiológicos contribuíram para formação de consenso em torno do HIV, agente causal da Aids.


© 2005 - 2006 Jornal de Itapecuru
R. Dr. Salomao Fiquene, 59 - Itapecuru Mirim - MA - 65000-000
WEZ

Inclusão: 01/08/2005