João Francisco Lisboa, jornalista, crítico, historiador, orador e político, nasceu em 22 de março de 1812 na casa de seus avós maternos no povoado Pirapemas (hoje município de Pirapemas), na época pertencente à Freguesia de Nossa Senhora das Dores do Itapecuru-Mirim. É o patrono da Cadeira nº 18 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador José Veríssimo.
Era o filho do casal João Francisco de Melo Lisboa e Gerardes Rita Gonçalves Nina. Estudou as primeiras letras em São Luís, onde viveu até os onze anos, quando voltou ao povoado Pirapemas. Permaneceu no sítio natal até completar quatorze anos. Falecido o pai, foi enviado para a capital da província a fim de trabalhar no comércio como caixeiro da loja do negociante Francisco Marques Rodrigues. Permaneceu nesse ramo de atividade de 1827 a 1829. Largando essa ocupação, dedicou-se inteiramente ao estudo, sob a orientação de alguns mestres renomados, entre os quais o professor de Latim, Francisco Sotero dos Reis.
Suspensa a circulação do Farol Maranhense, dirigido por José Cândido de Morais, em 1832, João Lisboa fundou, para continuar a pregação doutrinária do grande jornal, O Brasileiro, o seu primeiro diário, cuja publicação interrompeu com a morte de José Cândido. Fez reviver o Farol, assumindo a sua direção por dois anos. De 1834 a 1836, dirigiu o Eco do Norte, também retirado de circulação. Aí termina a primeira fase da carreira jornalística do escritor. Lisboa passou a trabalhar na administração pública, como secretário do governo durante três anos, a que se seguiu um período de duas legislaturas como deputado provincial.
Em 1838 retomou jornalismo, assumindo a direção da Crônica Maranhense, em sua fase áurea como escritor. A Crônica era um jornal de combate, especialmente criado para defender os interesses do Partido Liberal, reproduzindo a história viva das lutas políticas daqueles anos. Deixou de circular em dezembro de 1840.
Era o período difícil da Regência e da Maioridade de D.Pedro II. Na tribuna parlamentar e na imprensa, João Lisboa defendeu princípios da liberdade e interesses do povo, sendo injustamente acusado de participação na Balaiada, movimento revolucionário maranhense. Retirou-se temporariamente da política, dedicandose à literatura e à advocacia. Em 1847, recusou o convite que lhe fizeram os liberais para se apresentar como candidato a deputado geral. Aceitou, contudo, a participação na Assembléia Provincial, para a qual foi eleito no ano seguinte.
Em 25 de junho de 1852, saiu o primeiro número do Jornal de Timon, folheto composto de 100 páginas, inteiramente redigido por João Francisco Lisboa. Os cinco primeiros números circularam mensalmente. Somente em 1854 saíram, em volume de 416 páginas, os fascículos de 6 a 10; o 11 e o 12 saíram em março de 1858.
João Francisco Lisboa transferiu- se em 1855, para o Rio de Janeiro, de onde, após curta permanência, partiu para Lisboa, incumbido pelo Governo Imperial de coligir, em Portugal, documentos e dados elucidativos da história brasileira. Lá pesquisou também sobre a vida do Padre Antonio Vieira, para uma biografia, que ficou inacabada. Após um período de intenso trabalho em arquivos portugueses, realizou uma viagem de despedida ao Maranhão, no período que vai de 5 de junho a 11 de dezembro de 1859. Nos anos que se seguiram, o estado de saúde do escritor tornou-se cada vez mais precário, e ele veio a falecer às duas horas da madrugada em 26 de abril de 1863.
Ainda naquele ano, já de volta ao Maranhão, D. Violante da Cunha Lisboa tomava providências para que o corpo do marido fosse trasladado de Lisboa para São Luís. Houve alguma demora, e somente em 24 de maio de 1864 ali chegou o brigue Angélica 1 a , conduzindo a bordo os restos mortais de João Francisco Lisboa. Logo após o regresso de D. Violante Lisboa ao Maranhão, os amigos da família iniciaram as gestões para que fossem reunidas todas as obras de João Lisboa, incluindo-se entre elas a Vida do Padre Antonio Vieira, inacabada.
Todos os estudos biográficos sobre João Francisco Lisboa, cognominado o “Timon Maranhense”, se baseiam nos dados publicados por seu contemporâneo e amigo íntimo Antonio Henriques Leal na “Notícia acerca da vida e obras de João Francisco Lisboa”. Em 1969 o Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro, publicou dois volumes onde se encontra coligida grande parte da colaboração de João Lisboa nas páginas da Crônica Maranhense.
Já em 1977 saiu o livro “João Francisco Lisboa, Jornalista e Historiador”, de Maria de Lourdes Menaço Janotti, e em 1986, o 1º volume da nova fase da coleção Afrânio Peixoto, da Academia Brasileira de Letras, “João Francisco Lisboa: O Timon Maranhense”, de Arnaldo Niskier, duas obras de pesquisa em torno da figura e dos escritos do publicista maranhense.