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Fonte: Edição 98 - Maio / Junho de 2005
Publicada em: 1 de agosto de 2005
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Qual a importância da histó ria e por que precisamos resguardá-la? Cada povo, cada sociedade produz fatos cotidianos, que se não são precisamente históricos fazem parte da história. É a eles que devemos recorrer sempre que buscamos nos identificar para entendermos as mudanças sociais e a metamorfose mundial. É a história que nos ajuda a compreender as tradições, a cultura e os valores humanos. É a história que nos remonta ao passado, nos coloca no presente e nos prepara para o futuro. Por isso ela se processa no “agora”, causando impressões, suscitando conceitos, análises e conhecimentos, através dos saberes retidos na memória.

A História é reiterada e concebida a cada passagem de tempo, o nosso tempo, no aspecto individual e coletivo. O “esquecimento ancestral” nos torna anônimos e no instante em que desvalorizamos o rico passado de um povo, não sabemos quem somos, o que fazemos e o que queremos. Somente o estudo e a informação dos fatos históricos nos permite encontrar respostas plausíveis para nossas aflições, dúvidas e temores. Se não fosse isso, com que olhos enxergaríamos as antigas pirâmides egípcias, a vasta cultura grecoromana, a milenar cultura chinesa ou mesmo os vestígios do Brasil colonial, imperial e republicano?

A História em todas as suas vertentes é passível de interpretações, mas o que não vale é se negar a buscá-las. Negar a história e/ou abandoná-la, obscurecendo- a com o “breu” da alienação e da acomodação, nos impõe a condição de receptores passivos de “qualquer coisa”, sem embasamento para discussões e advertências.

Este é, sem duvida, o efeito contrário de quando não prestamos atenção ao que nossos avós contam; às aulas de história da escola; aos livros deixados de lado na estante; às descobertas que somos naturalmente levados a fazer, mas que abrimos mão delas; ou quando assistimos pasmos a determinadas políticas culturais inertes que em nada aproveita as potencialidades do nosso patrimônio histórico. Basta dizer que uma nação sem memória é uma nação sem futuro.

Mesmo com o cuidado dos historiadores, que tentam reconstituir o “mosaico” de todos os tempos, a falta de conservação de espaços históricos no Brasil tem sido uma constante e em Itapecuru-Mirim não é diferente. Neste município de 134 anos está escrito um importante capítulo da história maranhense e brasileira. História que além de não estar devidamente registrada para a posteridade, não é conhecida por quem deveria sabê-la literalmente: os itapecuruenses, muito embora saibamos que o povo desta cidade convive com ela diariamente.

“D. João VI, em 27 de Novembro de 1817, comu n i c ou ao Ouvidor da Comarca do Maranhão, que havia concedido ao Fidalgo da Casa Real José Gonçalves da Silva, a autorização para fundar à sua custa, uma vila em terras que possuía na Capitania da Ribeira do Itapecuru, atendendo ao pedido desse Fidalgo e do moradores do Itapecuru-Mirim. Nessa comunicação D. João VI determinava ao Ouvidor que permitisse ao Fidalgo beneplácito que ali verificasse a vila que deveria fundar, comprando ou aceitando as terras necessárias que lhe oferecessem os moradores.

Ordenou D. João VI, que depois de estarem morando na povoação trinta casais brancos e prontas as casas da Câmara, Cadeia e mais oficinas e outras despesas necessárias, fosse lá fundar a vila.

A vila foi finalmente fundada em 20 de Outubro de 1818, quando já existia uma povoação”.

Esta referência histórica faz parte de uma intensa pesquisa de campo realizada em nome do resgate dos períodos históricos dessa cidade, desde a sua fundação até os dias de hoje. É o início de um trabalho que vai contribuir para o fortalecimento da identidade cultural do município, bem como servir para dar a esta e as futuras gerações a oportunidade de conhecer e se ver na história, como protagonistas de sua própria transformação.

O projeto pretende desenvolver nas escolas e comunidade palestras que esclareçam a nossa origem, a saber; “Pela provisão Régia de 21 de julho de 1870, a vila de Itapecuru-Mirim foi elevada à categoria de Cidade, sendo criado o Município de mesmo nome”. Neste levantamento, o estudo bibliográfico, a busca de fontes de informação e as sucessivas entrevistas ocorridas trouxeram à tona uma séria preocupação: a história de Itapecuru está se perdendo no tempo e as poucas pessoas que poderiam dar o seu parecer, estão desaparec e n d o , atendendo à ordem natural da existência humana. Só este fato justifica o compromisso que devemos ter com nossa história, se não quisermos ser meros espectadores dos acontecimentos.

Sendo assim, tivemos a honra de nos deparar com “historiadores natos”, amantes de sua história, como o Sr. José Paulo Lopes Sousa, que possui um pequeno acervo em casa sobre a história de Itapecuru. Assim como ele 60 pessoas relataram assuntos pertinentes e incontestáveis, enaltecendo o que este município histórico tem a oferecer. E do ponto de vista da história aqui delineada são muitos os pormenores.

“O Topônimo Itapecuru ou Itapucuru, segundo a coleção de etimologia das palavras brasileiras do Frei Francisco dos Prazeres Maranhão significa ITA= Pedra, PUCURU= Púcaro, portanto ITAPECURU= Púcaro de Pedras. Como sabemos MIRIM= Pequeno, pode-se concluir que Itapecuru-Mirim seja Púcaro de Pedras Pequenas.

A origem do nome da cidade em Tupi - Guarany significa “Caminhos de Pedras Miúdas”. Além destas outras significações são também aceitas.

Queremos com este projeto que o povo de Itapecuru, sobretudo a juventude, desperte para o conhecimento da história e se identifique com ela, inteirandose dos espaços físicos que representam- na, recontando o que se passou e daí tirando lições para o porvir. Lições que seguramente estão guardadas nos pontos históricos enumeradas pela pesquisa, a contar: Arraial; Praça do Mercado; Quinta Velha; Igreja Matriz Nossa Senhora das Dores; Morro do Diogo; Miquilina, Rampas Velha, Manoel Cobra (Wady Fiquene) e Manga; São João dos Campos de Pombinha; Nova Aurora e tantos outros de suma importância. Em cada um deles respira-se a história viva pluralizada pelos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.

E qual o valor desta história? A vida de um povo depende do que os antepassados construíram para as gerações vindouras e é este patrimônio que tentamos colocar no rol de nossos interesses. Itapecuru não pode ser conhecida apenas como a “Terra de Mariana Luz e Gomes de Sousa” ou “Terra de Homens Ilustres”. Deve ela se destacar como a “Terra-Mãe de grandes vultos Históricos”, sendo eles: João Duarte da Silva Serra, Dr. Joaquim Vieira da Silva e Sousa, José Cândido de Morais e Silva, João Francisco Lisboa e até Luis Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, que por aqui passou e fez história, no tempo da Balaiada e do Negro Cosme.

Portanto, o valor de nossa história está no que fazemos para preservá-la e transmiti-la de geração em geração. É nesse sentido que lançamos a proposta para a introdução de uma disciplina no calendário escolar, que conte em detalhes a história aqui exposta, e sensibilize os governantes para esta causa, tão importante quanto qualquer outra. Com isso estamos fazendo história, aquela estruturada paulatinamente ao longo dos anos, séculos e milênios. Conhecer é fundamental para valorizar.


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Inclusão: 01/08/2005