Revolta e constrangimento. Essas são as palavras que traduzem os sentimentos de Joel Marques e Justo Evangelista. A dupla foi acusada de prática de irregularidades durante a permanência deles na diretoria do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Itapecuru-Mirim. Tudo começou quando o STTR se preparava para realizar as eleições da nova diretoria. Acácio e Maria Domingas seriam os prováveis candidatos. Mas os dois trouxeram a política partidária para dentro do sindicato. Por conta disso a Federação dos Trabalhadores da Agricultura no Maranhão - FETAEMA resolveu intervir no Sindicato. Logo em seguida Acácio Silva denunciou a existência de um esquema de caixa dois que possibilitava o desvio de dinheiro do STTR, e entre os beneficiários estariam Joel e Justo Evangelista. As desavenças na organização e as acusações contra Justo e Joel foram publicadas na edição de dezembro de 2008 deste jornal e provocaram uma reviravolta interna. Na ocasião eles foram procurados, mas, não quiseram se manifestar. Disseram que iriam aguardar a publicação das denúncias para em seguida decidir o que fazer. A reação já começou. "Eu nunca fui envolvido em nenhum ato vergonhoso", defende-se Justo Evangelista. "Estou muito constrangido, mas não tenha nada a temer. Por isso fui à FETAEMA e me coloquei à disposição para que tudo seja apurado. Não quero que fique nenhuma dúvida sobre esse caso", afirma Joel Marques.
Bom que seja assim porque o episódio parece estar longe de ter um fim e revela-se confuso, ou seja, dúvidas têm de sobra. Se não, vejamos: na primeira reunião após a veiculação das denúncias Acácio voltou atrás. Negou que tenha feito as revelações. Antes havia dito até o local dos encontros nos quais era feita a partilha do dinheiro. Mas, segundo o interventor do Sindicato, Ribamar, tudo que fora publicado pelo Jornal de Itapecuru pode ser constatado. "Quem tiver dúvidas é só ver a ata. Ali estão todas as informações que o jornal publicou. É triste ver um homem dizer uma coisa hoje e negar amanhã", lamenta.
Mas a consistência das revelações não abala os sindicalistas acusados. Joel Marques aponta imprecisões na denúncia formulada por Acácio Silva. "Nós realmente nos reunimos no Posto Bambu, eu, Rildo, Jerônimo, Acácio, Justo, D. Mundiquinha... mas, foi para tratar de assuntos de campanha sindical. Nunca na história das nossas articulações políticas nós nos reunimos em posto Americano", afirma Joel. Ele faz ainda uma provocação que em nada explica a defesa, mas que serve para aumentar ainda mais a brisa de mistério que sopra o caso. "Por que Acácio não explica a origem do dinheiro que teria sido dividido na reunião ocorrida no Posto Bambu? Quem foi que deu o dinheiro? Porque esse dinheiro não veio do além, ele veio de alguém... ele (Acácio) deveria explicar em vez de brincar de fazer denúncias", alega. Joel explica ainda que a Diretoria do Sindicato não foi afastada. "A notícia publicada deixa implícito que nós fomos expulsos. Isso não ocorreu. O nosso mandato terminou no dia 21 de maio de 2008. Nós prestamos conta e apresentamos relatório. O que houve foi uma intervenção devido à supostas irregularidades no recebimento das mensalidades dos associados e por esse motivo a FETAEMA resolveu assumir o comando da entidade até que tudo seja devidamente apurado", esclarece.
A defesa de Justo Evangelista segue a mesma linha do colega Joel, ou seja, revela-se indignado e acrescenta informações que só servem para aumentar as dúvidas sobre o caso. Admite, por exemplo, a existência do caixa dois. "A existência de caixa dois era do conhecimento de todos os delegados sindicais e também da diretoria", bombardeia. Entretanto, diz que nunca foi conivente com nenhum tipo de irregularidade. Ele diz ainda que a presidente do Sindicato, Maria Domingas, centralizava tudo. "A gente questionava certos procedimentos, chamava a atenção dela, alertava, mas ela, não dava importância. Muitas vezes as reuniões só serviam para formalizar as decisões porque ela levava tudo pronto, como se a gente não tivesse mentalidade para pensar e decidir as coisas juntos", assegura. Por fim, também jura inocência. "Eu me sinto envergonhado. Nunca fui envolvido num ato tão imoral. Eu tenho meus defeitos, como qualquer pessoa, mas, nunca este negro aqui se envolveu em qualquer tipo de irregularidade e por isso faço questão que tudo que foi dito ao meu respeito seja esclarecido. Quero que a verdade apareça porque essa situação é ruim para todos nós, põe em dúvida minha reputação, enfraquece o nosso trabalho, nossa história e atinge a luta dos Trabalhadores e Trabalhadores Rurais de Itapecuru-Mirim", conclui Justo Evangelista.
O sindicalista tem razão. O episódio, além de manchar a reputação dos acusados, também enfraquece o sindicato e consequentemente a luta dos trabalhadores e trabalhadoras rurais de Itapecuru, por isso, é bom que tudo seja esclarecido, afinal, o caso traz, a reboque, muitos questionamentos: Por que motivo Acácio, o autor das denúncias, voltou atrás? E por que os acusados, embora se declarando injustiçados mostram-se cautelosos e lançam insinuações sobre o acusador e sobre os demais companheiros de diretoria? Com base nesses questionamentos levanta-se a suspeita de que tanto o acusador quanto os acusados sabem muito mais do que até agora revelaram. Parodiando a música, "Pra ser Sincero", da Banda Engenheiros do Hawai, bem que poderiam dizer: "nós dois temos os mesmos defeitos, somos suspeitos de um crime perfeito, mas, crimes perfeitos não deixam suspeitos"... Dessa forma, o Jornal de Itapecuru continuará buscando respostas para as dúvidas aqui levantadas com a finalidade de informar com exatidão, sem paixão e acima de tudo com responsabilidade, afinal, investigar analisar e divulgar os acontecimentos que de alguma forma possam ter influência sobre o dia-a-dia dos maranhenses e, em especial, sobre a vida dos itapecuruenses é a missão deste periódico.