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Publicada em: 22 de julho de 2008
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Acidade de Itapecuru Mirim, do ponto de vista urbanístico, é considerada uma das mais bem traçadas do Maranhão. Essa indiscutível constatação nos leva a um instigante questionamento: quando e quem legou ao povo itapecuruense esse invejável ordenamento físico que fez com que a cidade ao longo do tempo adquirisse uma boa estrutura urbanística, perfeitamente visível na sua área central, como se ela fosse produto de um projeto técnico ou de um planejamento concebido por gestores visionários ?

PLANTA POMBALINA

Quem vai ajudar a esclarecer essa questão é um documento encontrado no Arquivo Nacional Torre do Tombo, de Lisboa, de autor desconhecido, reproduzida no livro Imagens das Villas e Cidades do Brasil Colonial, de Nestor Goulart Reis.

Trata-se de uma “Planta da Villa do Itapicuru, típica das que foram elaboradas pelos engenheiros militares e funcionários de mais alto nível, durante o século XVIII, na fase pombalina”, cujo “traçado é perfeitamente regular, desenvolvendo-se com uma praça central, com a Casa da Câmara e a Matriz, e seis quadras idênticas, em dois de seus lados”. Ainda de acordo com a planta, “as ruas são dispostas no sentido leste-oeste e as travessas no sentido norte-sul, as quadras são divididas em seis lotes, a serem construídos apenas nas faces voltadas para as ruas ficando, as travessas sem aberturas.” Como arremate, a afirmação de que “esse esquema corresponde ao que se indica nas quadras de São Luís, na planta de 1755”.

Tomando-se por referência a citada planta, pode-se inferir que remonta ao período colonial o traçado que originou a vila de Itapecuru, traçado esse que se tornou o ponto de partida para que anos depois se erigisse a cidade,sem que ela deixasse de conservar, a despeito de seu crescimento demográfico e da sua expansão espacial, o desenho legado pelos “engenheiros militares e funcionários de mais alto nível”, que estiveram no Maranhão por ocasião da criação, em meados do século XVIII, do monopólio da Companhia do Comércio do Grão-Pará e Maranhão, ato que gerou o incremento da produção e exportação de algodão, de arroz e de matérias-primas regionais, com resultado na prosperidade econômica do Estado, em grande parte responsável pelo imenso e singular acervo arquitetônico de São Luís e Alcântara e pela formação de centos urbanos originários de aldeamentos jesuíticos como Viana, Icatu, Guimarães, Aldeias Altas e Itapecuru Mirim.

A comprovação de que a povoação de Itapecuru apresentava, nessa época, um crescimento econômico de relevo na ribeira do Itapecuru, pode ser atestada pelo próprio governador Melo e Povoas, sobrinho do Marquês de Pombal, que em agosto de 1769, fez saber ao Rei de Portugal ser “útil a criação da vila por ser bem povoada e com homens capazes de ocupar cargos”.

Com base portanto na planta dos “engenheiros militares e funcionários de mais alto nível”, não há do que duvidar sobre o núcleo que deu origem a vila de Itapecuru e sobre sua localização. Foi ela implantada nas proximidades da margem do rio, em uma área de amplitude regular, mas suficiente para que uma praça central, com igreja e Casa da Câmara, servisse de marco para a distribuição equilibrada de ruas e travessas, estas, cortadas por doze quadras de cada lado, tendo cada quadra seis lotes. Este espaço, nos dias de hoje, corresponde à área territorial em que se acham edificadas a Casa da Cultura, o mercado e o cemitério da cidade.

DECADÊNCIA ECONÔMICA

Com o fim da era pombalina, por conta da subida ao trono de Portugal de Dona Maria I, em 1777, ocorreu a extinção da Companhia do Grão-Pará e Maranhão. Com isso, os empreendimentos produtivos implantados na ribeira do Itapecuru começaram a desaparecer e as povoações situadas à margem do rio entraram em processo de declínio.

Dessa forma, desenhou-se na povoação de Itapecuru um visível retrocesso, fato identificado pelos estudiosos da época, dentre os quais o militar português Francisco de Paula Ribeiro, que, em 1815, ou seja dois antes da povoação ser elevada à categoria de vila e integrada à Freguesia de Nossa Senhora das Dores, revelava no livro Memórias dos Sertões Maranhenses que, excetuando os europeus que habitavam Itapecuru, “todo o resto é gente pobre e vive miseravelmente e não tem espécie alguma de lavoura”. Mais ainda: “São térreos os seus edifícios (casas), feitos de madeira e barro, cobertos de telhas alguns, e os mais cobertos de palha de palmeira, a que chamam de pindoba. As ruas não bem reguladas e tem uma capela ainda não bem acabada”.

Também os cientistas Spix e Martius, no livro Viagem pelo Brasil, quando passaram pelo Maranhão e transitaram pela vila de Itapecuru, em junho 1919, deixaram suas impressões sobre o que viram: “Este lugar, antigamente denominado Feira deve a sua origem ao comércio de gado bovino, pois aqui os sertanejos negociam a vendas boiadas, vindas do Piauí e do interior do Maranhão, em troca de tudo que precisam. Na maioria das casas, acham-se lojas, onde estão expostas à venda grandes quantidades de chitas, artigos de ferro, porcelana e louças de barro, vinhos, licores e gêneros de Portugal”

Só nove anos antes de a vila ser elevada à categoria de cidade, em 1870, o Almanack do Maranhão, editado em 1861, trazia informações a respeito de Itapecuru, as quais permitiam fazer uma avaliação acerca da realidade em que se encontrava Itapecuru. A referida publicação ressaltava e lamentava a situação econômica da vila, que “gozou outrora de grande importância e o seu comércio quase que rivalizava com o de Caxias; porém depois que acabaram as suas importantes feiras de gado, decaiu muito e apesar de ser bastante comercial, não goza da metade de sua antiga fama”.

Se o Almanack, por um lado, deplorava a decadência econômica da vila, por outro lado, com dados estatísticos, aliás, significativos e elucidativos, mostrava a realidade que se encontrava Itapecuru na segunda metade do século XIX, especialmente com relação às atividades pública e privada desenvolvidas na vila, naquela altura dos acontecimentos, contando com uma população em torno de 4.500 habitantes, sendo 2.500 escravos e 2.000 livres. Enquanto a parte minoritária dessa população morava num espaço urbano formado pela Rua do Egito, paralela à beira rio, e tendo como perpendiculares a ela, as Ruas Cayena, Caianinha, Marco, Sol e Boiada, nas quais eram visíveis as presenças de comerciantes, burocratas, serventuários públicos,militares e artesãos, a parte majoritária se fixava no meio rural, onde prontificavam fazendeiros, criadores, senhores de engenho e escravos, aglomerados nas chamadas aldeolas, sendo as mais importantes Caximbos, Cantanhede, Pedras, Covas, Ipiranga, Guanaré, Candiba e Pindoval.

Quando a escravidão já havia sido abolida e o país deixara de ser monarquia para transformar-se em república federativa, afloram novas informações acerca do cenário urbano de Itapecuru, à época, sob a direção de intendentes

Quem nos revela é o professor Ribeiro do Amaral, através do seu precioso “Maranhão 1896” ao afirmar que Itapecuru assentava-se “em uma área toda plana de 869 metros de frente para o rio,sobre 677 de fundo, possuindo 18 ruas, das quais 14 partem da margem do rio para o centro e 7 correm paralelas ao mesmo rio; e mais 2 becos, 2 travessas, 7 praças ou largos, entre as quais as do Padre Cabral e de Santa Cruz. Tem 443 casas de telha e 205 de palha, uma igreja, que serve de matriz, uma capela por concluir, um cemitério, casa de câmara e cadeia”.

Com referência à população, ele assevera que, “sem incluir os arrabaldes, próximos à cidade, que se compõem de 60 casas de palha, com uns 360 habitantes, é de 2.226 almas, e a de todo o termo é calculada em mais de 8.000 almas.”

PLANTA DE JOAQUIM ARAÚJO

Depois das informações do professor Ribeiro do Amaral, somente em 1910 se tem conhecimento da situação urbana de Itapecuru. Desta feita, quem se encarrega de dar uma idéia sobre isso não é nenhum técnico ou especialista no assunto, mas um ilustre músico itapecuruense chamado Joaquim Araújo, que, mercê de sua inteligência e tirocínio, produziu não uma planta, mas um desenho à mão, no qual deixou registrada a concepção que tinha do traçado da cidade, segundo ele, localizada entre os igarapés, Pau de Arara, Luiz Antônio e Zorra, afluentes do rio Itapecuru.

Pelo desenho do saudoso músico, nota-se claramente que, em pleno alvorecer do século XX, em função do crescimento demográfico, a cidade expandira-se espacialmente, tanto no sentido vertical como no horizontal, o que possibilitou o surgimento de um núcleo urbano bem ordenado e formado por ruas regulares, que se distribuíam nas direções leste-oeste e norte-sul, tendo as margens do rio como limite.

Faziam parte desse núcleo urbano, dezesseis ruas, sendo sete na direção leste-oeste, denominadas de Beira Rio, Egito, Passagem, Formosa, Deserto, Flores e Cametá, e nove na direção norte-sul, chamadas do Fio, Grande, Santo Antônio, Sol, Caiana, Caianinha, Marco, Boiada, Mocambo, sem esquecer o Beco das Lavadeiras, o Caminho do Pau de Arara e as praças do Mercado e da Matriz, esta situada entre as Ruas Caiana e Caianinha, onde foi construída a nova igreja.

PLANO DE URBANIZAÇÃO

Este núcleo urbano, tão bem delineado e mostrado no desenho de Joaquim Araújo, pelo que se tem conhecimento, só veio a sofrer modificações na década de 40, em plena fase ditatorial, quando o Maranhão era administrado pelo interventor Paulo Ramos, e a prefeitura de Itapecuru estava sob o comando do prefeito Bernardo Thiago de Matos, a quem coube o encargo de promover na cidade uma reforma urbanística de vulto.

Tão logo assumiu o cargo, em 1943, o prefeito convenceu-se de que Itapecuru precisava de um plano de urbanização, consubstanciado na demolição de numerosas casas, muitas das quais construídas irregularmente, a fim de que no lugar delas, pudessem surgir novas ruas e uma vistosa avenida. Para leva a cabo o plano, o gestor municipal conseguiu do interventor Paulo Ramos uma verba no valor de Cr$ 30.000.00. Com tais recursos, deflagrou o projeto que tinha em mente realizar. A empreitada não foi fácil de ser materializada, pois nem sempre ele conseguia persuadir os proprietários dos imóveis a concordarem na demolição de suas moradias. Em algumas ocasiões, viu-se obrigado a usar os mecanismos do regime autoritário para sufocar tais resistências.

Ao cabo de algum tempo, persuasivamente ou na marra, livrou a cidade de construções desalinhadas e de casebres que comprometiam o visual do centro urbano, dando ensejo à execução de um plano urbanístico, cujo escopo era dotar Itapecuru de novas e modernas construções residenciais, de ruas mais ajustadas e regulares, sobressaindo-se uma avenida bela e ampla, no comprimento e na largura, com origem na Praça do Mercado e término no Caminho do Pau de Arara. Para fazer isso, o prefeito teve de sacrificar a Rua da Passagem, no lugar da qual veio à tona a Avenida Gomes de Sousa, que permitiu a divisão de uma vasta área em dois espaços públicos, de onde emergiram as praças Gomes de Sousa e da Cruz. Para a construção dessa avenida, o governo do Estado concedeu um auxílio à prefeitura de Cr$ 12.000,00.

Com a visão empreendedora de que era dotado, Bernardo Matos, para possibilitar a construção de novas casas, instalou uma olaria e trouxe da baixada maranhense mais de dez oleiros, que passaram produzir tijolos de quatros furos, vendidos a preços acessíveis à população.

Em reportagem publicada em O Imparcial, de 17 de maio de 1946, intitulada “A cidade de Itapecuru ressurge”, o jornalista Raimundo Cardoso afirmava que com os melhoramentos introduzidos na urbe, ela “conta, agora, com ruas mais amplas, mais cuidadas, além de inúmeras construções novas, entre as quais podemos destacar as residências dos srs. José Bogéa, Ernani Pereira, Francisco Nogueira, Raimundo Veras, João Elias Murad, Miguel Fiquene, Vicente Fonseca e da senhora Rafaela Nogueira.”

AVANÇO URBANÍSTICO

O avanço urbanístico alcançado por Itapecuru, nos meados da década de 40, se, por um lado, modernizou a cidade, por outro lado, contribuiu também para ampliar de modo acentuado o seu espaço territorial. A nova realidade vivida pela cidade mostrava-se tão visível, que um dos primeiros atos de Miguel Fiquene, ao assumir o cargo de prefeito eleito, foi o de enviar à Câmara Municipal um projeto dispondo sobre a delimitação das zonas urbanas e suburbanas, tendo em vista que a população já tomava de assalto os locais outrora ocupados pelas chácaras, quintas e sítios.

Em 21 de novembro de 1948, os vereadores aprovavam a matéria, estabelecendo que a área urbana seria “delimitada ao norte, partindo da margem direita do rio Itapecuru, segue pela Rua Cametá, na direção oeste-leste até defrontar a Rua do Colombo: a leste, segue pela Rua Colombo, na direção norte-sul, até a Rua Tiago Ribeiro, antiga rua Grande; na direção leste até a margem direita do rio abaixo até o ponto de partida.” Com relação á área suburbana, terá o seguinte perímetro: “ao norte e leste, partindo da foz do arroio Pau de Arara, segue por ele até a Fonte da Bica, na cabeceira deste arroio; torcendo a direita, segue por uma reta na direção norte-sul até a Rua Colombo, indo ao ponto de intercessão desta reta com o prolongamento da linha que divide ao meio os quarteirões entre as Ruas do Mocambo e da Boiada, torcendo a esquerda, segue pelo prolongamento da referida linha, na direção oeste-leste até a distância de quatrocentos metros, limitados a partir do eixo da Rua Colombo; torcendo à direita, segue por uma reta na direção norte-sul até encontrar o Igarapé da Zorra ao sul; segue por esse igarapé abaixo até encontrar o eixo da Estrada de Ferro São Luis-Teresina, a trezentos metros do entroncamento sul do triângulo de reversão dessa linha férrea em frente da estação de trem; oeste, partindo do ponto jurisdicionado da linha férrea, segue uma reta até o inicio do ponto sobre a Lagoa Calçada; torcendo a direita, segue pelo referido tapume norte até o seu canto, de onde prossegue uma reta até encontrar o eixo da EFSLT, a 50 metros do entroncamento norte do triângulo com a reversão dessa linha férrea em frente a estação de trem; prosseguindo nessa reta até encontrar a linha telegráfica nacional; torcendo a esquerda, segue por essa linha até margem esquerda do rio; segue por essa margem abaixo até encontrar a foz do arroio Pau de Arara; torcendo a direita, até o ponto de partida.”

Oito anos depois da delimitação da cidade em zona urbana e suburbana, ocorreu um fato auspicioso: a construção de uma ponte de concreto sobre o Rio Itapecuru, inaugurada em 1º de agosto de 1956, ponte que deflagrou um novo progresso na cidade.

Por conta da presença da moderna e majestosa obra, processaram-se duas sensíveis alterações na estrutura da cidade. A primeira, proveio da desativação da antiga ponte flutuante sobre o rio Itapecuru, por onde atravessavam os passageiros e as cargas transportados pelos caminhões e trens da Estrada de Ferro São Luís-Teresina, e que fez com que a Rua da Boiada, também denominada senador Benedito Leite, perdesse a sua importância como artéria principal da cidade.

A segunda, ensejou o nascimento de uma nova via pública - a Avenida Brasil, que cortava verticalmente a cidade, indo da beira-rio à MA-23, uma rodovia construída para fazer o trajeto entre Itapecuru e Vargem Grande mais rápido e mais seguro. Para a construção dessa avenida, o Departamento de Estradas de Rodagem transferiu para a prefeitura do município recursos financeiros para serem aplicados nas despesas de desapropriação de casas residenciais instaladas na Rua Caiana.

A implantação da vistosa Avenida Brasil, se, por um lado, contribuiu sobremodo para a expansão da cidade nas direções leste-oeste e norte-sul, viabilizando o surgimento de numerosas praças, ruas, becos, travessas e de bairros densamente povoados, mas desordenados do ponto de vista topográfico, por outro lado, exigiu das autoridades do município a adoção de procedimentos institucionais para impedir que a urbe itapecuruense se tornasse caótica e comprometesse a qualidade de vida dos que a habitam.

PERÍMETRO URBANO

No concernente à delimitação do perímetro urbano, a cidade sofreu quatro alterações. A primeira, ocorreu na gestão do prefeito Abdala Buzar, produto de uma lei sancionada a 4 de maio de 1965, determinando que “o perímetro urbano da cidade será constituído de um quadrado formado pelas Ruas José Bogéa, antiga Mocambo, Luiz Cajueiro, antiga Cametá, Nilo Peçanha, antiga Grande, e José Gonçalves, antiga coronel Catão, e que a Praça da Cruz será o ponto inicial e final desta divisão.”

A segunda, deu-se no mandato do prefeito José Lauande, com base na Lei 418, de 4 de dezembro de 1979, estabelecendo que “a área urbana de Itapecuru Mirim começa na foz do Igarapé da Zorra, desse ponto segue pelo leito do Rio Itapecuru até um quilometro abaixo da foz do Igarapé Pau de Arara, afluente desse mesmo rio e desse ponto prossegue por uma reta até o encontro da Rua Machado de Assis com a antiga estrada para Vargem Grande; daí segue por outra reta até o cruzamento da BR-222, no quilometro 15, com a estrada da Rua do Fio; desse ponto segue pelo lado esquerdo da estrada do Fio até alcançar a Rua Humberto de Campos, prosseguindo por essa rua, lado direito, até o seu cruzamento com o Igarapé Bom-Que-Doi; prossegue pelos leitos dos igarapés Bom-Que-Doi e da Zorra até a sua foz, no Rio Itapecuru”.

A terceira, processou-se na administração do prefeito Miguel Lauande, que respaldado na Lei 773, de 4 de maio de 1999, delimitava que o perímetro urbano começava “no cruzamento do Igarapé Covinha com a BR-222, deste ponto segue até a rua Abdala Buzar e segue por esta até encontrar a propriedade do Dr. Fernando, segue por esta até a Travessa São Benedito, segue por esta até a Travessa Fontinele, segue por esta até a Rua da Faixa, segue por esta a Rua da Miquilina, segue por esta até o Beco do Matadouro, segue por este até alcançar a estação de alta tensão da Eletronorte, segue por esta até a Estrada de Ferro, segue por esta no sentido Itapecuru Mirim a São Luis até a Terceira Agulha da Manobra, segue deste ponto por uma linha reta até encontrar a foz do Igarapé Pau de Arara, no Rio Itapecuru, daí segue pelo leito deste rio até a foz do Igarapé do Raul, segue por este até a Rua da Granja, segue por esta até a Rua Benedito Nascimento, segue por esta até a Estrada da Torre, segue por esta até a Estrada Itapecuru a Tingidor, segue por esta até o Igarapé Covas, segue por esta até a foz do Igarapé Covinha e segue por este até o ponto inicial.”

A quarta, também na gestão do Prefeito Miguel Lauande (segundo mandato), que sustentado na Lei 914, de 15 de dezembro de 2004, alterava a redação da lei anterior e explicitava no Artigo 1º : “Entende-se como zona urbana ou urbanizável do município de Itapecuru Mirim toda a área em que tenha havido desmembramento ou parcelamento de terras, dando inicio à formação de aglomerados urbanos, observado o requisito mínimo da existência de melhoramentos indicados em pelo menos dois pontos: arruamento, meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais; abastecimento de água; sistema de esgotos sanitários, rede de iluminação pública, com posteamento para distribuição domiciliar; escola de ensino fundamental ou posto de saúde, a uma distância máxima de três quilômetros da área considerada.”

No Artigo 2º, a lei, ao contrário das que as antecederam, de maneira sintética, estabelecia que “o perímetro urbano de Itapecuru Mirim compreende a área central da cidade, tendo como eixo o estádio municipal, estendendo-se em um raio de 6,5 kms, ao Norte estende-se até o quilômetro 217 da BR-222, ao Leste até o Igarapé do Cova, estremo com o povoado Vinagre, a Oeste segue até a propriedade do Dr. Fernando.”

De acordo com a nova legislação, o Artigo 3º assegurava que as áreas “ainda que localizadas fora do perímetro urbano da cidade, considerar-se-ão urbanas e urbanizáveis todas aquelas destinadas à habitação, inclusive as residências de recreio, chácaras, etc, e as destinadas ao comércio e à indústria.”Nessa perspectiva, os prefeitos Abdala Buzar, João Rodrigues e José Carlos Rodrigues, sancionaram leis votadas pela Câmara de Vereadores, dispondo sobre as nomenclaturas dos logradouros públicos.

NOMENCLATURA DAS RUAS

Em abril de 1961, o prefeito Abdala Buzar legou à cidade uma lei sobremodo importante. Ela determinava que os logradouros públicos, em obediência às direções norte-sul e leste-oeste, respectivamente, a partir da margem do rio e do campo de aviação, passassem a ter as seguintes denominações: Avenida Beira Rio, a atual Manoel Caetano; Rua José Gonçalves, a atual Coronel Catão; Rua Conselheiro Silva e Sousa, a atual Basílio Simão; Rua Mariana Luz, a atual Paulo Ramos; Rua Coelho Neto, a atual Cajazeiras; Rua Luiz Cajueiro, a atual Cametá; Rua Conselheiro Duarte, a atual do Mato; Rua Humberto de Campos, a atual Mocambo; Rua Campos Sales, a atual Colombo; Rua Machado de Assis, a do Caminho Grande; Rua Euclides da Cunha, a atual da Lagoa; Rua 1º de Maio, a atual da Bica; Rua dos Pioneiros, a atual Piçarra; Rua de São José, a atual Rua de Santo Antônio; Praça Rio Branco, a atual da Cadeia; Praça João Lisboa, a atual do Mercado; Praça da Saudade, a atual do Cemitério; Praça Gonçalves Dias, a atual das Mangueiras; Praça da Alegria, a atual Itapemirim. As Ruas Benedito Leite, Urbano Santos, Oswaldo Cruz, Presidente Vargas, Santo Antônio, Nilo Peçanha, as Avenidas Gomes de Sousa e Brasil, e as Praças Gomes de Sousa, da Cruz, Padre Cabral e Padre Bacelar, conservariam os mesmos nomes.

De acordo com a nova legislação, suprimiram-se da paisagem da cidade as denominações das ruas antigas, encontradas no núcleo original do centro e mantidas ao longo do tempo, a exemplo da Passagem, Formosa, Deserto, Flores, Caiana, Caianinha, Fio, Grande, Boiada, Mocambo, Cametá e Sol, sendo substituídas por nomes de figuras da política e da cultura estadual e nacional.

Sete anos após a vigência da Lei nº 210, de 17 de abril de 1961, já na gestão do prefeito João Rodrigues, a Câmara Municipal aprovava a Lei nº 303, de 6 de dezembro de 1968, que corrigia a nomenclatura dos logradouros públicos da cidade, alguns dos quais tiveram os nomes alterados e outros ganharam novas denominações, a exemplo das Ruas José Gonçalves, Conselheiro Silva e Sousa,Luiz Cajueiro, Conselheiro Duarte, Mocambo, Osvaldo Cruz, Presidente Vargas, Pioneiros e São José, agora com os nomes de Coronel Catão, Basílio Simão, José Gonçalves, Major Bandeira, Presidente Vargas, Sol, Antônio Olívio Rodrigues e Luiz Antônio, respectivamente.

Quanto às praças, as do Mercado, das Mangueiras e Padre Cabral, foram modificadas para Raul Lins, Santo Expedito e Gonçalves Dias, respectivamente.

Com relação às travessas, passaram a ter as denominações de Coronel Nogueira da Cruz, Professor Tiago Ribeiro, Conselheiro Silva e Sousa e Presidente Castelo Branco.

Passaram-se os anos e só em novembro de 1985, sob a administração do prefeito José Carlos Rodrigues, a cidade voltaria a dispor de nova nomenclatura, desta feita bem mais completa e melhor elaborada do que as anteriores, porque preparada em atendimento a dois significativos fatores: expansão territorial e incremento populacional, embora este último não fosse tão representativo, pois, pelo Censo Demográfico de 1980, o município de Itapecuru Mirim contava com 44. 160 habitantes, dos quais 31.994 moravam na zona rural e 12. 166 na zona urbana.

Ainda assim, os dois fatores (território e população) contribuíram acentuadamente para o esgarçamento, em todas as direções, da urbe itapecuruense, que se viu incorporada de novos espaços públicos e de uma expressiva periferia, onde floresceram bairros carentes e deficientes de serviços e equipamentos sociais adequados e necessários à preservação de uma boa qualidade de vida.

A nova lei, trouxe uma novidade em relação às precedentes: quase todas as artérias públicas ganharam nomes de personalidades da cena municipal, nascidos ou não em Itapecuru, com relevantes serviços prestados à comunidade, nas mais diversas atividades públicas ou privadas e em diferentes fases da história.

O artigo 2º da lei votada pela Câmara de Vereadores e sancionada pelo prefeito José Carlos Rodrigues, estabelecia que “são mantidas as atuais denominações dos logradouros do Centro da cidade, à exceção dos abaixo discriminados, que passam a denominar-se de Praça Tancredo Neves, a atual Praça Santo Expedito; Avenida Desembargador Públio de Melo, o trecho da Rua Basílio Simão compreendido entre a Praça Gomes de Sousa e o igarapé Pau de Arara; Rua José Rodrigues Sobrinho, a atual 1º de Maio e trecho da Rua José Gonçalves, a partir da Praça Cônego José Albino Campos até o igarapé Pau de Arara; Rua Dr. Salomão Fiquene, o antigo Beco Padre Albino Campos; Travessa Cassiano Pereira, a atual Euclides da Cunha; Rua Prefeito João Rodrigues, a atual do Sol; Rua Abdala Buzar, a atual Humberto de Campos; Rua Leonel Amorim, a atual Nilo Peçanha; Travessa Itapemirim, ligando as Ruas Abdala Buzar à Leonel Amorim; as Projetadas 11, 18, 16 e 04 seriam denominadas Ruas Raimundo Veras, Manfredo Viana, Raimundo Cardoso e Manoel Nogueira da Cruz.

Ainda em consonância com a lei, além do Centro, a cidade contava com os bairros Aviação, Malvinas, Caminho Grande, Luiz Antônio, Itapecuru Novo, Piçarra e Miquilina.

Faziam parte do bairro Aviação: Avenida Raimundo Nonato Ferraz, Ruas Miguel Fiquene, Benedito Nascimento, Francisco Nogueira, Benedito Buzar, do Cabral, José Monteiro Filho e Travessa José Azevedo.

Do bairro Malvinas: Ruas José Bento Neves, Felício Cassas, José Firmino Gomes, Francisco Sitaro, João Pedro Pereira, Ernani Pereira, Luiz Ferraz, Raimundo Álvaro Mendes, José Lauande, José Marques da Silveira, Carlos Bezerra e Travessa Benedito Raposo.

Do bairro Caminho Grande: Avenida Benedito Bráulio Mendes, Ruas Chafi Buzar, José Domiciano Siqueira, Raimundo Honório, Raimundo Tinoco, Claudiano Abreu, Tomé Eugênio de Menezes, Raimundo Pereira Nogueira, Olegário Mendes, Praça Bento Nogueira da Cruz, Travessas Hemetério Silva e Chico Chofer.

Do bairro Luiz Antônio: Ruas Marcelino Nogueira e Flaviano Cordeiro Mendes.

Do bairro Itapecuru Novo, mais conhecido por Rodoviária: Ruas Orlando Mota, Januário Siqueira, Nossa Senhora da Conceição, Henrique Frazão, Wady Fiquene, Sebastião Sousa, Padre Possidônio Monteiro, Bernardo Matos, Alarico Lima, Padre Alfredo Bacelar, Antônio Rodrigues Filho, Hercílio Patrício do Lago, Patrício Araújo, João Elias Murad, Praças Nossa Senhora da Conceição e Constantino Zacheu.

Do bairro Piçarra: Ruas Raimundo Tiago, Albino Mendes, Antônio Padeiro e das Bonecas.

Do bairro Miquilina: Ruas Benjamim Pereira, Miquilina, Permínio Cruz, Travessas Antônio Coelho, Raimundo Coelho, Antônio Lauande e Luiz Bandeira.

A referida lei não fazia alusão ao bairro Roseana Sarney, porque quando de sua aprovação, o mesmo ainda não existia. Este novo bairro veio à luz na primeira gestão do prefeito Miguel Lauande (1977 a 2000).

Benedito Buzar, jornalista, advogado e membro da Academia Maranhense de Letras.

Bilhete do escritor

Ao longo de teus gloriosos 138 anos de incontáveis sucessos históricos, sempre te manorei e, por isso, te procurei nos livros, documento sou fragmentos da história. Quando te encontrei, o amor aumentou ainda mais. Hoje, não posso mais viver sem ti. Dia e noite te procuro, te busco, te caço e, agora sei: este amor jamais terá fim!

Do teu, Benedito Bogéa Buzar.


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Inclusão: 22/07/2008 - Alteração: 22/07/2008