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Publicada em: 15 de junho de 2008
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* Alex Mamede de Oliveira

O fenômeno social da violência apresenta fortes indícios de uma sociedade que não soube ou não sabe cultivar desde o início da transformação e conseqüente formação em cidadãos de bens; princípios e referências de cidadania, como a implantar o ensinamento do respeito e amar ao próximo, ocasionando o que denomino um VIOLENCIA: UM TSUNAMI EM ITAPECURU-MIRIM, que não obstante seja manifesto em escala mundial, vem vitimando também de forma implacável e impiedosa as famílias de nossa bela Itapecuru-Mirim.

No seu corpo constituinte, a violência definiu-se como um divisor de classes sociais, ou seja, seu aparecimento traz consigo a marca de uma sociedade excludente (que exclui em todos os sentidos, inclusive o afetivo). Vivemos neste primeiro decênio do século XXI uma nova era em termos de desenvolvimento científico - vide a engenharia genética - todavia caracterizada também por altos índices de registro de violência. Sofremos frequentemente manifestações de violência: familiar, social, econômica, violência quanto ao poder do estado, quanto à democracia, igualdade de direitos.

Ela adentra os nossos lares e altera as nossas vidas, bem como valores e rotinas familiares.

Em especial não poderíamos deixar de comentar a violência que se instalou vergonhosamente em nosso torrão natal, Itapecuru-Mirim e vem se propagando como uma lepra insanável ou tumor maligno em proporções a cada dia mais incontroláveis e insustentáveis, chegando ao ponto de serem sacrificadas vidas humanas como se fossem sacrificados animais no matadouro municipal para saciar o nosso instinto de sobrevivência.

A sociedade itapecuruense encontra-se insegura, em pânico, aterrorizada, amedrontada, amordaçada, torturada, diminuída, lesada, violentada, indignada e revoltada com os casos de violência que imperam em nossa cidade, afugentando os turistas que poderiam estar gerando renda com o turismo e envergonhando os filhos de uma cidade historicamente pacata que vem se metamorfoseando em circo de horrores.

Em determinados períodos do dia, principalmente à noite, os cidadãos de bem não podem trafegar em ruas, becos, praças, cantos de nossa cidade, pois correm o risco de serem assaltados, baleados, esfaqueados ou até assassinados por marginais por causa de uma camisa, sapato, dinheiro (trocados), relógio ou simplesmente o marginal não simpatiza com sua cara, ou tem inveja da sua posição social, ou seja, a violência chegou ao ponto extremo de se tirarem vidas humanas, a facadas, pauladas ou arma de fogo como se abate animais para servirem de alimentos.

Todavia o que mais choca nesse contexto é a atitude de frouxidão e descompromisso -para com as funções pelas quais recebem o seu salário pago com os nossos pesados impostos - das autoridades responsáveis pela nossa segurança que ao invés de garantirem a integridade física e a prerrogativa constitucional do direito de ir e vir, para que os cidadãos de bem possam trafegar livremente pelas nossas ruas, simplesmente detém os marginais, os mesmo pagam fianças a novamente voltam a freqüentar as ruas e avenidas de nossa cidade, prontos para novamente delinqüir com suas cacetadas e facadas letais, como se tirar a vida de uma pessoa fosse a coisa mais natural do mundo, esquecendo-se que só cabe a Deus punir com a pena capital.

Mas uma parcela maior da culpa é nossa, da sociedade, que quando é acionada para escolher os seus representantes nas câmaras legisladoras (deputados, vereadores, prefeitos, senadores, governadores e presidentes) elegem pessoas compromissadas apenas com O INTERESSE PRÓPRIO OU O PODER PARALELO DO TRÁFICO, ou são pessoas que vão somente no intuito de receber o ordenado ao final do mês e sem compromisso com o povo (compra de votos) e nem com as leis(não tem conhecimento das leis e sua formulação).

MAS A LONGO PRAZO COMO PODEREMOS REVERTER ESSA REALIDADE DO NOSSO PAÍS E EM ESPECIAL E NOSSA BELA ITAPECURU?

Existe uma gama de pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento empenhados em responder e resolver essa indagação. Dentre esses estudiosos, em especial podemos elencar um pensador que há várias décadas vem conclamando a melodia dos valores básicos humanos, a saber: a verdade, a retidão, a paz, o amor, a não violência. O grande defensor destes princípios se auto intitula Sathya Sai Baba e é indiano (MESQUITA, 2003).

Sintaticamente ele cita a necessidade de no berço da formação do cidadão, ainda criança, seja demonstrado e trabalhado o seu potencial afetivo intrínseco e inteligência emocional, na promoção dos valores humanos acima citados e por conseguinte refletindo-se no seu comportamento familiar, social e profissional, não obstante as dificuldades, sofrimentos e decepções que ele terá haverá de enfrentar na sua trajetória sobre a terra, será feliz e nunca sucumbirá à marginalidade social do tráfico, violência, roubo, homicídio etc...

Concluindo, faço um apelo para que a sociedade civil organizada e a população de modo geral, as autoridades constituídas, educadores, classe política, enfim a todos os que lutam incansavelmente pelo fim da violência que se irmanem na propagação desses princípios humanos citados, dentre outros que são necessários para a longo prazo podermos não apenas confabular, mais vivenciar uma sociedade mais justa e igualitária, menos desigual e refém do neoliberalismo selvagem e possamos por fim a esse TSUNAMI que a violência tem deploravelmente provocado na sociedade itapecuruense, impondo os tentáculos do medo, as garras do pânico e a mordaça do silêncio em um povo que sempre cultivou a cultura da paz.


© 2005 - 2006 Jornal de Itapecuru
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Inclusão: 24/06/2008 - Alteração: 24/06/2008