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Publicada em: 4 de janeiro de 2007
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Há muito tempo pensava escrever sobre Pãozinho, com a intenção de provocar uma reflexão sobre essa figura do cotidiano de nossa cidade que, diariamente, é visto andando pelas ruas, aliás, durante muito tempo, carregava um saco cheio de bugigangas, todo maltrapilho, passa vários dias sem tomar banho, anda sozinho, não tem companheiro para conversar, não ofende aos outros, creio que não tem ódio e nem persegue ninguém.

Na realidade já estava decidido escrever sobre o meu homenageado, entretanto estava em duvida quanto ao momento certo, para colocar essa reflexão aos leitores deste Jornal. Pensei fazer isto na Semana Santa data essa que nos lembra a vida de Jesus Cristo através da sua morte e ressurreição, mas, decidi aproveitar o momento do Natal em decorrência dessa data representar o nascimento do Salvador da Humanidade.

Reconheço que as pessoas que visitam Itapecuru ou que estão aqui há. pouco tempo devem sempre fazer a seguinte pergunta a respeito do Pãozinho. Quem e esse homem? Qual o seu nome? Sua idade? Sua família? Por que vive dessa maneira? Devo responder que, desde criança conheço Pãozinho, entretanto não sei seu nome e também a sua idade. Quanto a sua família fui informado por minha querida tia Mercy que seu pai era proprietário de uma budega, ou seja, pequeno comércio, localizado na Avenida Beira Rio em frente à Rampa que dá acesso ao Colégio Leonel Amorim, não cheguei a conhecer seu pai. Em relação a sua mãe, Dona Maria, já falecida, lembro-me que ela lavava e engomava roupas para as famílias tradicionais de Itapecuru, trabalho esse que fazia com certa habilidade e através do qual sustentava o nosso Pãozinho. Teve apenas uma irmã chamada Nena que mais tarde tornou-se bastante conhecida por ser proprietária do Cabaré da Nena que ficava localizado no mesmo local que nos falamos anteriormente.

Nesse contexto, torna-se necessário salientar que Pãozinho já nascera com alto grau de deficiência visual e que após uma operação trouxe-lhe sérias complicações mentais. Tive conhecimento que Pãozinho tocava violão e gostava de ouvir rádio. Com a morte do seu pai, o meu Tio Bispo Rodrigues que na época representava a previdência no município, e contando com o apoio de Abdala Buzar Neto, líder político e forte empresário, conseguiram uma pensão para a mãe de nosso Pãozinho. Mais tarde, Bispo Rodrigues e Abdala Buzar venderam a casa da Avenida Beira Rio e com o dinheiro da venda compraram uma casa para o nosso Pãozinho morar em frente a residência do Tote da B.B Mendes. Com o falecimento de sua mãe o nosso personagem ficou sem família, passando depois de um certo tempo a peregrinar pelas ruas e avenidas de Itapecuru ficando exposto ao tempo, ou seja, ao sol e a chuva.

Graças ao espírito humano do meu saudoso Tio Bispo Rodrigues que lhe deu aconchego, trazendo-lhe para o convívio de sua família, dando-lhe alimentação, roupas, banhos, e, até construiu um quartinho no fundo de sua residência para que assim Pãozinho tivesse um maior sossego. Enquanto Tio Bispo Rodrigues teve vida foi um grande amigo e companheiro do nosso personagem. Outras pessoas que, também se preocupam com Pãozinho são nosso amigo Agustinho carroceiro pai de Edmar que há muito tempo vem dando banho no Pãozinho e também a casa de Dona Lurdinha Chaves local onde ele sempre visita para tomar café e a Professora Írisdalva, Tia Mercy que sempre se preocuparam em conseguir roupas para vestir Pãozinho. Acho que Zequinha de Nena é parente de Pãzinho.

Com certeza, Pãozinho nunca recebeu um parabéns no dia do seu aniversário e um Cartão de Natal desejando-lhe Feliz Natal e um Próspero Ano Novo. Que significado ou interesse teria a sociedade de comemorar o aniversario de Pãozinho ou dar-lhe um presente. Principalmente, Senhores leitores, essa sociedade que na realidade é altamente caracterizada pela hipocrisia, que utiliza dos meus mais escusos para defender seus interesses pessoais que, na realidade e uma grande farsa. Vale salientar que Pãozinho a única coisa que ele pede as pessoas e um cigarro para saciar o seu vicio de fumar, não calunia o próximo, anda sozinho pelas ruas sem ninguém para conversar, não ostenta riqueza e poder. Nós, Itapecuruenses reverenciamos Gomes de Sousa e Mariana Luz, o primeiro pelos seus conhecimentos matemáticos e a segunda pela sua veia poética. Nesse partícular todo dia Pãozinho nos mostra como enfrentar o sol, a chuva, o calor e o frio aliás, em tudo isso existe um fundamento matemático. Pãozinho nunca escreveu uma poesia, mas nos mostra a sua veia poética através do seu andar, da sua mansidão, do seu silêncio, e do seu sofrimento aqui na terra. Quem sabe? Possa ser que Pãozinho como tantos outros que vivem nessa situação estão preparando-se para viver seu verdadeiro paraíso na outra vida. Conforme nos ensina as Escrituras Sagradas.


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Inclusão: 04/01/2007