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Publicada em: 30 de novembro de 2006
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O presidente da Assembléia Legislativa, deputado João Evangelista (PSDB), anunciou a retomada do projeto “Itapecuru-Águas Perenes”, lançado no ano passado e suspenso durante parte de 2006 por questões climáticas e em função do período eleitoral. Evangelista informou que ainda neste mês de novembro será realizada a expedição de técnicos e deputados a toda extensão do rio, com o objetivo de colher subsídios para o plano de recuperação do Itapecuru. “Precisamos agilizar esse trabalho que é de vital importância para as gerações futuras. Não podemos pecar por omissão”, disse em tom de advertência.

De forma categórica, o presidente informou que está articulando todos os segmentos envolvidos no projeto para garantir a excursão ao leito do rio. “Determinei a minha assessoria que faça os contatos com os nossos parceiros e ultime os preparativos. A hora é de ação”. Disse também que o “Itapecuru-Águas Perenes” tem uma dimensão que extrapola os limites de interesse da Assembléia. “Esta não é uma causa apenas do parlamento estadual, mas de todo o povo do Maranhão”.

Para ilustrar a importância do projeto de recuperação do Rio Itapecuru, João Evangelista fez uma estimativa preocupante. “Há estudos que indicam que se nada for feito (para salvar o rio), daqui a 50 anos a cidade de São Luís terá sérios problemas de racionamento de água. Por omissão nossa estaremos condenando as gerações futuras”. Cerca de 70% do abastecimento da capital são captados do Itapecuru, o resto provém de sistemas de poços artesianos e da barragem do Batatã.

EXPEDIÇÃO - De iniciativa da Mesa Diretora da Assembléia, o projeto “Itapecuru-Águas Perenes” foi lançado no segundo semestre de 2005. A idéia era fazer a expedição ao rio ainda no final daquele ano, mas a antecipação do período invernoso frustrou as expectativas, transferindo a operação para julho de 2006. Escaldado, porém, com a repercussão que um trabalho dessa magnitude poderia provocar em plena campanha eleitoral, Evangelista decidiu esperar as eleições. “Iam terminar descaracterizando um trabalho sério”, explicou.

Pelo planejamento original, a expedição seria desenvolvida em duas etapas. Na primeira, técnicos fariam um trabalho de reconhecimento da região, levantando aspectos hidrográficos. Na segunda etapa seriam organizadas equipes de especialistas e deputados com vistas à realização do diagnóstico, que identificaria todos os fatores que concorrem para a degradação da bacia do Itapecuru. De posse desse trabalho, seriam promovidas audiências públicas com as comunidades ribeirinhas e feito um plano estratégico para dar suporte à recuperação do rio.

Todas as etapas seguintes serão desenvolvidas tendo por base o diagnóstico ambiental do Rio Itapecuru. Em 30 dias o estudo inicial deverá estar concluído. Nenhum aspecto relacionado à degradação do rio escapará desse levantamento. “Precisamos encontrar uma solução para o problema das comunidades ribeirinhas, que ainda fazem roça de vazante”, destaca o presidente da Assembléia.

Evangelista lembrou que o governo federal já assiste os pescadores durante o período da piracema, quando se vêem impedido de pescar, e em razão disso recebem um salário para que possam garantir a sua sobrevivência. “Os ribeirinhos do Itapecuru não têm esse benefício. Falta uma política social que assegure a assistência dessas comunidades”.

CONSCIENTIZAÇÃO - Para o presidente da Assembléia, o papel mais importante do projeto “Itapecuru-Águas Perenes” é despertar a consciência da população e das instituições e fazer com que a sociedade organizada assuma para si a tarefa de salvar a bacia hidrográfica do Maranhão. “Esse é um projeto permanente. Depois do Itapecuru, vamos ao Pindaré, ao Mearim e a todos os rios maranhenses. Haverá uma vigilância permanente em torno dos nossos recursos naturais. É preciso que a sociedade chame para si essa tarefa”, defendeu.

A bacia do Rio Itapecuru abrange 52 cidades, atingindo uma população estimada em três milhões de habitantes, espalhados em uma área de 52 mil quilômetros quadrados. A calha do rio mede cerca de 1.400 quilômetros. São Luís, com cerca de 1 milhão de habitantes, é uma das cidades mais beneficiadas pelo Itapecuru, de cujo leito retira 75% da água que abastece sua população.


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Inclusão: 06/12/2006 - Alteração: 06/12/2006