Pensar numa cidade em que os encarcerados são transportados para outro município por falta de prédio público da delegacia de polícia, pensar uma cidade em que muitos adolescentes e adultos dirigem carros automotores sem carta de habilitação, pensar numa uma cidade que mesmo estando praticamente na beira do Rio Mearim, falta água potável para consumo vital, uma cidade em que não se encontra prefeito, vereadores e outras autoridades para solicitar serviços ou cobrar soluções, pensar numa cidade onde supostas cópias de cheques emitidas pelo prefeito a um ex-prefeito e logo em seguida o cúmplice uma negativa da assinatura dos mesmos cheques sem que o Ministério Público se manifeste, pensar que a liberdade de ir e vir afora muitas vezes depende de que lado agrada, pensar numa cidade em que a casa (pelo menos a de meus pais tornou-se abrigo violável), pensar numa cidade em que “políticos” se destacam em dizer quem roubou mais que quem e a eloqüência do discurso é o volume do roubo. É muito lamentável, mas essa cidade é Arari.
A já previsível manifestação de revoltados com o descaso a que foi submetida Arari desde que parte do PT de Arari perdeu ou jogou na vala comum toda áurea de uma construção sólida que se evidenciava por jovens companheiros cujo espírito, outrora era da construção de uma sociedade sadia e sem os vícios dos poderosos. Juntaram-se e caminharam com eles para o lamaçal.
Eu prefiro refletir a ofender alguém em meu discurso, mas a minha alma está ferida porque estão dilacerando nosso povo de Arari e sangrando nossa sublime e grata forma de amar nossa terra. Refiro-me a esse valor incomensurável que sentimos uns pelos outros e que redunda em nossos laços afetivos de sermos acima de qualquer coisa: filhos de Arari. Pois eu digo agora, como se a cidade fosse uma mãe e um pai ordeiro e acolhedor de todos nós. És o nosso brilho e não nos deixamos permitir que tombes diante de desmazelos irresponsáveis de quem quer que seja.
Que um acordo esdrúxulo , jamais teria sido registrado cenas tão hilariantes. Dia 20 de outubro entra para composição das páginas escuras da história e com previsíveis e iminentes catástrofes. Traduzo o que recentemente receitei para amigos de lá: “Arari é hoje uma cidade sem Estado”.