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Publicada em: 15 de setembro de 2006
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Principal obra do pensador brasileiro Paulo Freire, ‘Pedagogia do Oprimido’, publicado em 1970, surgiu como uma revolução no pensamento pedagógico do século passado. Não obstante a obra do mestre pernambucano chamar-se Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire, na verdade, preconizou uma pedagogia para oprimido, ou seja, um método de pedagógico que coloca o ser humano como protagonista na construção da práxis libertária a partir do reconhecimento que vivemos numa sociedade de classes sujeita a todo tipo de injustiças e desigualdades.

Diferentemente da Pedagogia, que encontra-se consubstanciadas em diversas escolas teóricas que visam explicar e entender o ser humanos a partir da sua capacidade criativa e libertadora através dos métodos de ensino-aprendizagem, a Administração é uma ciência humana que carece de fundamentos sólidos que nos façam entender qual o seu papel na formação de um ser humano livre, criativo e feliz em relação as suas tarefas cotidianas nas organizações.

A Administração, enquanto área de conhecimento que aborda principalmente (mas não exclusivamente) à gestão de diferentes recursos de uma organização, evoluiu bastante desde a publicação da obra do “Princípios de Administração Científica”, de Frederick Winslow Taylor, em 1911. Nos dias atuais é impossível pensar e praticar a Administração sem levarmos em conta todo o conjunto de inovações na ciência e na tecnologia e seu impacto no trabalho, por conseguinte, no ser humano, no trabalhador.

Quando coloquei entre parênteses a expressão “não exclusivamente” para destacar que abordagem da Administração vai além da gestão dos diversos recursos de uma organização, seja ela pública ou privada, foi para dar início a uma discussão que tem como foco o, por assim dizer, homem organizacional e a realização dos seus sonhos de sucesso profissional a partir da cidadania conquistada com o que convencionou-se chamar de ‘qualidade de vida’.

Acontece, que com o advento da globalização dos negócios as organizações passaram a ser uma coisa monstruosa do ponto de vista da felicidade. Hoje, as chamadas empresas transnacionais parecem que vieram substituir o que Thomas Hobbes chamou de Leviatã, lá no século XVII.

Nesse sentido, cria-se a partir da globalização e das empresas transnacionais um ambiente onde a luta para conquistar o sucesso profissional a ascensão financeira tornou-se uma verdadeira “guerra de todos contra todos”. Os trabalhadores vêem-se cada vez mais como lobos entre si, tal como Hobbes, na sua visão pessimista da humanidade, afirmara que o “homem é lobo do homem”.

Torna-se necessário então, que nós profissionais de Administração forjemos uma nova abordagem da nossa ciência onde possamos redefinir o papel dos trabalhadores dentro das empresas no sentido de serem visto muito além do que simples ativo ou recurso das organizações.

Há empresas, aliás, que dizem ter nos colaborador’ o seu maior patrimônio. Isso não pode ser visto como nenhum orgulho pelos trabalhadores, pelo contrário: trata-se de uma concepção equivocada de gestão onde a idéia de posse é levada ao extremo. Os trabalhadores podem até um dia vir a ser verdadeiros colaboradores, mas antes terão que estar claras as respostas para as seguintes perguntas: colaboradores de quem? colaboradores pra quê?

Finalmente, penso que já está na hora de fazermos um Benchmarking da Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire, e fundarmos a “Administração do Oprimido”. Só assim será possível desmistificar a idéia que a Administração está condenada a ser um mero instrumento capitalista de opressão dos trabalhadores. Ainda que existam muitos modelos de gestão tidos como democráticos.

Robert Lobato Administrador de Empresas e Consultor Organizacional
robertlobato@bol.com.br/9968413


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Inclusão: 03/10/2006 - Alteração: 03/10/2006